Saturday, May 05, 2007

"TIMOR" Poema de João Monge




TIMOR

Lavam-se os olhos nega-se o beijo
do labirinto escolhe-se o mar
no cais deserto ficam desejos
da terra quente por conquistar

Nobre soldado que vens senhor
por sobre as asas do teu dragão
beijas os corpos no chão queimado
nunca serás o nosso perdão

Ai Timor
calam-se as vozes
dos teus avós
Ai Timor
se outros calam
cantemos nós

Salgas os ventres que não tiveste
ceifando os filhos que não são teus
nobre soldado nunca sonhaste
ver uma espada na mão de Deus

Da cruz se faz uma lança em chamas
que sangra o céu no sol do meio dia
do meio dos corpos a mesma lama
leito final onde o amor nascia

Ai Timor
calam-se as vozes
dos teus avós
Ai Timor
se outros calam
cantemos nós

João Monge

Quando lemos este poema, mentalmente cantamos com Luís Represas que deu a voz á canção com este poema. Foi um poema e uma canção que nos acompanhou na nossa luta, especialmente em 1999. Através da RTPI, acompanhávamos o grito do Povo Português, para nos ajudar, para alertar o mundo sobre a nossa tragédia - e este tema esteve sempre presente...Quem não se lembra daqueles momentos em que os nossos corações choravam doloridos com tudo o que estava a acontecer ?.... através da RTPI víamos e ouvíamos esse maravilhoso POVO Português lutar por nós cantando com Luís Represas este tema. E, o "AI TIMOR" ! como aqui em Timor é conhecido, muitas lágrimas de emoção correram pelos nossos rostos. Ainda hoje isso acontece, vêm-me lágrimas aos olhos quando a escuto, este tão forte poema de João Monge- Porque hoje , com esta crise parece que voltamos atras...João Monge e Luís Represas apenas quero dizer obrigado por este poema e canção...

Obrigado...


Maracujá

8 comments:

Anonymous said...

QUANDO O PETROLEO DORMIA
NO NOSSO TEMPO DE INFANCIA
PAZ E AMOR SEMPRE EXISTIA
POBREZA NAO TINHA IMPORTANCIA

AGORA LIQUIDO INFERNAL
QUE ACORDASTE EM TERRA MINHA
TROUXESTE GRANDE VENDAVAL
MATANDO O AMOR QUE A GENTE TINHA

MINARAI

manuela said...

eu, que não tenho jeito nenhum para versejar, mando para esse blog de poetas estas estrofes do Luis.Não conheço Timor, mas pelo que imagino, a descrição que ele fez há 500 anos ainda é actual:


133
«Olha de Banda as Ilhas, que se esmaltam
Da vária cor que pinta o roxo fruto;
As aves variadas, que ali saltam,
Da verde noz tomando seu tributo.
Olha também Bornéu, onde não faltam
Lágrimas no licor coalhado e enxuto
Das árvores, que cânfora é chamado,
Com que da Ilha o nome é celebrado.

134
«Ali também Timor, que o lenho manda
Sândalo, salutífero e cheiroso.
Olha a Sunda, tão larga, que hüa banda
Esconde pera o Sul dificultoso;
A gente do sertão que as terras anda,
Um rio diz que tem miraculoso,
Que, por onde ele só, sem outro, vai,
Converte em pedra o pau que nele cai.

[Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas, Canto X (Parte III)]

Sítio do sol nascente said...

Caro Maracujá Maduro,
ao ler este poema, não pude deixar de recordar as minhas lágrimas de felicidade no dia em que fui votar no referendo, um dos dias mais importantes da minha vida. Os tempos das manifestações, em que andámos quilómetros pelas ruas de Lisboa, passando pelas várias embaixadas que lá existem, gritando por ajuda para Timor. Das vigílias feitas à porta da embaixada do EUA, durante todo o mês de Setembro e parte de Outubro, sempre vigiados pela polícia, dia e noite, onde cantávamos músicas timorenses e mais uma vez pediamos ajuda. Da manifestação à porta da embaixada da Indonésia em Madrid, ... de quanto sofremos e chorámos aqui, cada vez que algo vos torturava aí.
Foram tempos de sofrimento, mas que felizmente resultaram no que desejávamos - a Independência e Democracia para Timor.
Claro que hoje, como disse, parece que voltamos atrás. Nunca pensei voltar a chorar de tristeza ao ouvir notícias de Timor.
Tenho dificuldade em digerir o facto de depois de tudo o que se passou, ver irmãos contra irmãos e ver alguns daqueles que foram motor de arranque para a independência, dizerem e cometerem certas barbaridades que só servem para instigar a violência, provocar instabilidade, ludibriar o povo...
Peço a Deus por vós, para que não passe de uma crise, para que tudo se resolva a bem e para que as minhas lágrimas voltem a ser de felicidade.

Um grande abraço
Laumalai

Anonymous said...

Maracujá:

Parabéns por este blog maravilhoso.
Sou Timorense e vivo em S.Tomé e Principe com a minha familia. Vim para cá com os meus pais ( meu pai é S. Tomense e a minha mãe é Timorense, mais concretamene de Venilale ) e eu nasci em Dili assim como tambem a minha irmã mais velha. Dou-lhe esta explicaão apenas para entender como estou ligado a esse Pais tão magoado! Quero dizer que sou Timorense de Alma e Coração.

Tive conhecimento do seu blog através do Timor ONLINE, site que eu visito por causa das noticias.

O Timor de Nore a Sul é mesmo aquilo que nós não politicis precisamos. Estamos fora, queremos sentir Timor sem ter raiva por ninguém! Parabéns pela selecção dos poemas que publica na primeira página. Reparei que tem o cuidado de os escolher a dedo. Parabéns. E continue porque isto é o que nós " PRECISAMOS, PARTILAHER AS EMOÇÕES QUE NOS UNEM, NÓS TIMORENSES E NÓS PAISES DE LINGUA PORTUGUESA !!! Gostaria de ver aqui também poemas em Tetum, para a minha Mãe matar saudades!

João Semedo Lopes de Araújo

Anonymous said...

Timor oan mai ita hamutuk:

Fitun Naben
taci Aklalak !
Rai lakun nia Klaran
Rai Ketak mai ita hamutuk
Timor Loron Sa'he
Halibur ita nia an!
Ramelau! Tata rai tutun
Mai halibur oan kiak
laran metin!
Laran sussar!
Lorun Monu !
Mai ita hamutuk!
Tur metin ita nia laran
Hakoak ita nia diaK
Hamoris ita nia Rai!
Hoin loron!
Mata bem maka udan!
Mota la liu!
Rai sussar ita sala!
Maum Sa'e, Ka Maum Monu
Timor ida deit!
Timor ita tomak!
Timor buka Dame!
usso turun ba ita nia Maromak!

J. Sarmento

Anonymous said...

PARA O MEU AMIGO AMIO


NAS MONTANHAS DOS ABACATES NASCESTE
NUNCA ORASTE HOMILIAS EM CASA SAGRADA
POIS NA ESCOLA SO ALDRABICE APRENDESTE
GRANDE CHOQUE PRA TUA FAMILIA DANADA

CONTINUAS REZANDO PAI-NOSSO AVE-MARIA
MAS TEUS PECADOS CONTINUAM AUMENTANDO
DESDE OS TEMPOS DE ESCOLA LA NA SACRISTIA
E SO O DIABO TE CONTINUA ALIMENTANDO

POLITICO DE MEIA TIGELA FOSTE E SERAS
TRABALHO PERTO DO MAR TE ENRIQUECEU
OS CHINAS PAGAVAM A TI E AO BRAZ
AQUELE PEQUENO MUNDO TE ENLOUQUECEU

ASSINASTE E DE CASACA MUDASTE
TRAINDO OS QUE SEMPRE TRAISTE
PERDESTE UM OLHO AO DESGASTE
ES UM AMIGO BURRO E MUITO TRISTE

Rubina said...

É um belo poema, acompanhado por uma magnífica foto. É esperar pela paz :)

Anonymous said...

Timor oan

Timor oan,
lemo, lemo rai
timor oan, bá mai
Timor oan
hader,
loke matan,
hakilar,
teberai,
keta hussik
hema seluk
halo lakon
ita nia rai

Naran Lahia