Thursday, March 15, 2007

" Zeca Afonso" A proposta é do António Virissimo .....

MORREU O ZECA! VIVA O ZECA!

Em 23 de Fevereiro de 1987, faz agora 20 anos, em pleno inverno, no Outono da vida, morreu Zeca Afonso.
Sem pé-de-meia, sem fundo de maneio, sem saco azul, sem subsídios, sem ajudas de custo, sem reforma.
Morreu como sempre viveu, pobre, à 3ª badalada da madrugada de 23 de Fevereiro.
Num leito anónimo do hospital de Setúbal, acontecia o triste epílogo duma morte anos antes anunciada: morria o poeta, morria o cantor, morria o amigo, morria o companheiro, morria o Zeca.
Nascido em 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, menino de ouro de uma família conservadora, tendo sido o pai nomeado Procurador da República em Angola, depois em Moçambique e finalmente em Timor.

Angola e Moçambique ainda o Zeca conheceu na sua infância, mas a Timor nunca foi. Lá por isso, ninguém duvide que faria canções no auge da opressão indonésia, como tantos outros, dedicando a sua arte ao heróico povo que continua a sofrer.

CANÇÃO DA PACIÊNCIA

Muitos sóis e luas irão nascer
Mais ondas na praia rebentar
Já não tem sentido ter ou não ter
Vivo com o meu ódio a mendigar

Tenho muitos anos para sofrer
Mais do que uma vida para andar
Bebo o fel amargo até morrer
Já não tenho pena sei esperar

A cobiça é fraca melhor dizer
A vida não presta para sonhar
Minha luz dos olhos que eu vi nascer
Num dia tão breve a clarear

As águas do rio são de correr
Cada vez mais perto sem parar
Sou como o morcego vejo sem ver
Sou como o sossego sei esperar

José Afonso

1 comment:

António Veríssimo said...

Caro Maracujá

Esperemos que a saúde continue a normalizar-se.
Envio o meu contributo aproveitando algumas palavras de Brecht que um amigo também me mandou.

Um abraço e força!



NADA É IMPOSSIVEL DE MUDAR

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural,
nada deve parecer impossível de mudar.

Bertold Brecht