Sunday, April 15, 2007

“PÁTRIA”- Hino Nacional de Timor-LLeste, poema de FRANCISCO BORJA DA COSTA




Pátria é o hino nacional da República Democrática de Timor-Leste. Com letra de Francisco Borja da Costa e música de Afonso Redentor Araújo, foi composto em 1975 e usado pela primeira vez no dia 28 de dezembro do mesmo ano, quando Timor-Leste declarou-se unilateralmente independente de Portugal. O país foi invadido pela Indonésia em 7 de dezembro de 1976 e Francisco Borja da Costa foi morto no mesmo dia. Foi declarado hino nacional no dia independência da Indonésia (20 de maio de 2002).

A letra é somente em português, pois ainda não há uma versão em tétum.


Pátria

Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Vencemos o colonialismo, gritamos:
Abaixo o imperialismo.
Terra livre, povo livre,
Não, não, não à exploração.
Avante unidos firmes e decididos.
Na luta contra o imperialismo
O inimigo dos povos, até à vitória final.
Pelo caminho da revolução.




Patria (do latím "patris", terra paterna) indica a terra natal ou adotiva de um ser humano, que se sente ligado por vínculos afetivos, culturais, valores e história.

Pátria tem a ver com o conceito de país, do italiano paese, por sua vez originário do latim pagus, aldeia, donde também vem pagão.

Significa o sítio onde se vive, o local, ambiente ou espaço geográfico onde se insere a nossa vida. Da mesma raiz, temos também a palavra paisagem.

O telurismo naturalista de Taine refere mesmo que o território, entendido como pays é que constitui o elemento propulsor da marcha da história: a raça modela o indivíduo; o país modela a raça. Um grau de calor no ar, a inclinação do chão é a causa primordial das nossas faculdades e das nossas paixões.

Mas, quando, além deste quadro geográfico, se inserem elementos de história, tradição e sangue, o país passa a pátria, à terra e aos seus mortos. Esta já tem uma significação geo-histórica, como transparece no beijar da terra levado a cabo por um chefe políticos antes do começo de uma batalha, como o fizeram Joana d’Arc ou o nosso D. Nuno Álvares Pereira.

Quando esse quadro geo-histórico se assume politicamente, ligado a emoções colectivas e aos elementos gentílicos da nascença e da imaginação, a pátria pode volver-se em nação.

Se a expressão nação começou por significar aqueles que nascem da mesma raiz, já a expressão pátria vem do latim patrius, isto é, terra dos antepassados. Se a primeira tem uma conotação sanguínea e biológica, a segunda tem uma origem claramente telúrica.Borja da Costa, um poeta, uma Fundação. Quando florescer o arroz...






Homenagem a Francisco Borja da Costa, morto a 7 de Dezembro de 1975, o primeiro dia da invasão indonésia de Timor e cujas palavras passaram a ser cantadas no Hino Nacional do novo país. Filho do liurai António Costa e irmão de Luís Costa, autor do Dicionário Tétum-Português e do Guia de conversação, nasceu na região de Manatuto, fez a antiga 4ª Classe em Soibada e depois seguiu para Díli, onde fez o liceu e ingessou na função pública. Foi um dos fundadores da Fretilin e o seu nome figurava na lista das pessoas a abater pelos indonésios.

O 25 de Abril apanhou-o em Lisboa, a estagiar no "Diário de Notícias", regressando à ilha, já como jornalista, para o jornal "Voz de Timor". Depois da fundação da Fretilin, cujo nome terá sido proposto por ele próprio, regressou a Lisboa, para um novo estágio no "República". Foi assassinado pouco tempo após este segundo regresso a Timor.

Como poeta, inspirou-se na poesia tradicional e quem entende Tétum sente que está a ouvir os discursos poéticos dos homens sábios. No que diz respeito à Fundação que ostenta o seu nome, criada com apoio de ONG’s estrangeiras, tinha por objectivo o estudo e a divulgação da língua Tétum, a defesa, o desenvolvimento e a divulgação da cultura e identidade de Timor-Leste.

4 comments:

António Veríssimo said...

AUSTRÁLIA


Eu sou petróleo
E tu arrancas-me brutalmente do mar
E fazes-me tua mina sem me perguntar

Eu sou petróleo
E tu sugas-me
Para te servir como força motriz
Semeias a discórdia
Ocupas o meu país
Achas que tenho de arder
Destróis o meu futuro em combustão
Ignoras que somos gente
Pensas ser meu dono e patrão
Enquanto ardemos na exploração
Que a gente sente
Até ás cinzas da maldição

Anonymous said...

Quero prestar mais uma vez a minha profunda homenagem ao poeta Borja da Costa com quem dialoguei varias vezes e cujos poema costumava comentar com um grnde amigo, o inolvidavel Nicolau Lobato a quem sempre entreguei para comentarios os meus artigos, uns publicados, outros proibidos pela PIDE/DGS.
Felicito o Senhor Antonio Verissimo pelo seu lindo poema.

Kim said...

O hino timorense é claramente comunista. Tenho pena que Timor entre por essa vias. Um hino comunista, uma bandeira semelhante à bandeira de um outro partido (que outrora e talvés ainda seja comunista, Fretelin). Temos pena.

st said...

a talhe de foice:

- o que é feito da Fundação com o nome deste grande Timorense e Poeta Borja da Costa????

gostaria de saber o que se passa na actualidade, pois tive o prazer de a usufruir nos idos anos 80's e depois da traição do Abílio deixei de ter informações da fundação....

ainda cheguei a passar pela sua sede em Lisboa algumas vezes, mas dei sempre com a porta fechada e com aspecto de abandono....

gracias, se alguém me souber dar informações....
cumprimentos e saudações
st