Tuesday, January 29, 2008

“MONANGABÉ” de António Jacinto

Naquela roça grande, não tem chuva,
é o suor do meu rosto, que rega as plantações;
Naquela roça grande tem café maduro e aquele vermelho-cereja,
são gotas do meu sangue, feitas seiva.
O café vai ser torrado,
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado।


Negro da cor do contratado!
Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:
Quem se levanta cedo? Quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa,
a tipóia, ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém,
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinquenta angolares
"porrada se refilares"?

Quem?

Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer

Quem?

Quem dá dinheiro para o patrão comprar,
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?
Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande - ter dinheiro?

Quem?

E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:

Monangambé...

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras,
Deixem-me beber maruvo, maruvo
e esquecer diluído, nas minhas bebedeiras


António Jacinto(Poemas, 1961)

Musicado e interpretado por Rui Mingas

1 comment:

Anonymous said...

E O JULGAMENTO FINAL CHEGOU
ONDE TODOS NOS NAO ESCAPAMOS
O DITADOR TAMBEM NAO ESCAPOU
QUE VA PARAR AO INFERNO,ESPERAMOS

QUE PAGUE A FACTURA CORRESPONDENTE
PARA TANTO MAL E SANGUE DERRAMADO
QUE SINTA O CALOR DO PURGATORIO
O CALOR DE UM CABRITO ASSADO

UM ABRACO

MAU DICK