Wednesday, October 17, 2007

Ukun Rasik An de Kaotay Sarmento

Fui hosi Wehali
Rai nia abut
Emar se Maubere
Timor nia abut
Ita hotu nia isin
Lolon ida de'it
Ita hotu nia klamar
Neon ida de'it

Ukun Rasik An!

-Kaotay Sarmento (RIP)

1 comment:

António Veríssimo said...

Olá Maracujá

Um grande abraço para todos os amigos da poesia.
Envio um poema de Eugénio Andrade em homenagem a Che Guevara. Um personagem mitico que já ultrapassou as ideologias que levam as sociedades a desentenderem-se.
Che, actualmente, faz parte da sociedade de consumo.
São os tempos que correm.


ELEGIA DAS ÁGUAS NEGRAS
PARA CHE GUEVARA

Atado ao silêncio, o coração ainda
pesado de amor, jazes de perfil,
escutando, por assim dizer, as águas
negras da nossa aflição.

Pálidas vozes procuram-te na bruma;
de prado em prado procuram
um potro, a palmeira mais alta
sobre o lago, um barco talvez
ou o mel entornado da nossa alegria.

Olhos apertados pelo medo
aguardam na noite o sol onde cresces,
onde te confundes com os ramos
de sangue do verão ou o rumor
dos pés brancos da chuva nas areias.

A palavra, como tu dizias, chega
húmida dos bosques: temos que semeá-la;
chega húmida da terra: temos que defendê-la;
chega com as andorinhas
que a beberam sílaba a sílaba na tua boca.

Cada palavra tua é um homem de pé,
cada palavra tua faz do orvalho uma faca,
faz do ódio um vinho inocente
para bebermos, contigo
no coração, em redor do fogo.

Eugénio de Andrade

1971