Sunday, September 14, 2008

Minha pátria é minha língua, Mangueira meu grande amor.




Minha pátria é minha língua,
Mangueira meu grande amor.
Meu samba vai ao Lácio e colhe a última flor


OSVALDO MARTINS

SINOPSE:
A esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral, que deixou Lisboa em 9 de março de 1500, era a maior até então reunida para navegar no Atlântico. Não fez nenhuma escala até tocar a costa brasileira e era composta por 1500 tripulantes. Não se conhece, exatamente, os nomes das 13 embarcações.

Vencendo a fúria de ventos agitados,
Singrando “mares nunca dantes navegados”,
Lá vêm elas - tão frágeis e tão belas -
Sorriso aberto em suas velas:
Dez naus, três caravelas.

Muitos séculos antes do Descobrimento do Brasil, o Império Romano havia conquistado vastos territórios da atual Europa. Não foi uma conquista apenas política e territorial – foi também cultural. Os exércitos romanos impuseram seu idioma – o Latim vulgar – que em cada região deu origem a uma língua diferente (Português, Francês, Espanhol, Italiano, Romeno, etc.). O Latim, por sua vez, tem origem no Lácio, uma região do centro da atual Itália onde surgiu Roma.



Trazem a bordo um rico tesouro
Que não é prata nem é ouro.
É uma herança, uma bonança
Mais valiosa que um palácio:
A última flor do Lácio.
“Inculta e bela”, como Bilac cantou
És meu pendão, meu refrão,
Pura e singela, és minha flor na lapela
Que o tempo enfim consagrou.

O Português é hoje o sexto idioma mais falado no mundo. É a língua oficial de oito países dos cinco Continentes: Portugal, Brasil, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. São cerca de 250 milhões de falantes, a maioria no Brasil. O idioma de Camões tem palavras que não encontram tradução em outras línguas. Exemplos: luar e saudade.





Brota em meu peito uma forte emoção
Quando vejo um cenário de tanta beleza!
Deus, em sua Criação, fez questão
De mostrar sua mania de grandeza
Quando dotou o Brasil, sua grande paixão
- e disso eu tenho certeza -
Do idioma que fala ao pulsar do coração:
A nossa Língua Portuguesa!

Ao chegar ao Brasil, trazido pelos descobridores em 1500, o Português sofreu primeiro a influência das línguas faladas pelos indígenas que habitavam o litoral: o Tupi e o Tupinambá. Mais tarde, o Português foi enriquecido por palavras do Banto e do Iorubá, idiomas falados por escravos africanos. Essas contribuições formaram o Português “brasileiro”, uma língua mestiça em constante evolução. Mais recentemente, no século 19, o Português falado no Brasil incorporou também expressões trazidas por imigrantes de várias partes do mundo.

O idioma de Camões, Eça e Pessoa
Aos poucos se abrasileirou
Com a fala dos índios e seu cantar
Misturando o tupi e o tupinambá.
Depois o negro da nação iorubá
Botou “axé” e todo o seu encanto
E até o samba que também é africano
Ganhou a “ginga” que veio do banto.

As influências indígena e africana eram tão fortes que os próprios jesuítas portugueses usavam esses idiomas - conhecidos como a “língua geral” - em sua catequese. Até que, em 1758, o Marquês de Pombal decretou, proibiu outro falar no Brasil que não fosse o Português. No ano seguinte, expulsou os jesuítas do país. A vigilância portuguesa impôs a ferro e fogo o decreto de Pombal e, graças a ela, produziu-se o milagre de hoje um país de dimensões continentais como o Brasil ter um único idioma. A língua é o maior símbolo da identidade e da integração nacional do povo brasileiro.

Foi seu Pombal quem garantiu
No carnaval do meu Brasil
O samba de uma fala só.
Em verso prosa o povo inteiro
Canta alegre, em “brasileiro”
No frevo, no choro e no forró.

Além de grandes autores portugueses como Luiz de Camões, Padre Vieira, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, o nosso idioma tem no Brasil outros tantos luminares: os cariocas Machado de Assis (primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras) e Olavo Bilac, o alagoano de Quebrângulo Graciliano Ramos (Vidas Secas, Memórias do Cárcere), o mineiro de Itabira Carlos Drummond de Andrade (Brejo das Almas, José), o fluminense de Cantagalo Euclides da Cunha (Os Sertões) e muitos outros, considerados clássicos da língua portuguesa.



Hoje a Mangueira, toda airosa
Engalanada em verde e rosa
Canta o idioma que ressoa
Do Oiapoque ao Chuí
Lembra Eça, louva Pessoa,
Inventa um passo e num abraço
Traz Lisboa para a Sapucaí.

Nos grandes mestres fui buscar
O enredo do meu samba pra contar
A saga de um povo altaneiro
De vidas secas nos sertões
De muita luta nos grotões
Como pregava Antonio Conselheiro.

Grandes poetas brasileiros, como Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Cartola, Caetano Veloso, Guilherme de Brito e tantos mais encontraram no samba uma forma superior de falar à alma do povo. A música brasileira difundiu o idioma e aproximou a “última flor” da gente simples que canta, e se encanta.

Minha pátria é minha língua
Minha pena é minha espada.
A paixão não morre à mingua
Se é pra ti, mulher amada,
Que nos versos magistrais
De Vinícius de Morais
Sobre o amor ele proclama:
É “infinito enquanto dure”, e
“Imortal posto que é chama”.

Os poetas de Mangueira
Também sabem que a paixão
É sua melhor parceira,
Sua grande inspiração.
Foi o amor à minha Escola
Num preito de pura emoção
E ternura em cada rima
Que inspirou Mestre Cartola
A compor essa obra-prima
Que é “Sala de Recepção”.

Ó, amada Língua Portuguesa, poética, infinita... Quantos milhares, milhões de escritores, poetas, romancistas, histórias, personagens tu ocultas que por mais que se procure mais existe a desvendar! Bem sei que não cabes inteira no meu samba, que é pequeno demais pra te homenagear. Tão bela tu és que tinha de ser teu o primeiro museu. Não há no mundo outro igual, nem mesmo em Portugal. O endereço é um só, aquele que nos conduz à velha Estação da Luz - teu templo, tua morada, onde podes, como mereces, ser adorada.

Eu sou de uma estação
A Estação Primeira
Que me ensinou uma lição
Durante minha vida inteira:
Só meu samba me conduz
E só Mangueira traduz
A paixão mais verdadeira.

Mas se quero ter certeza
Que a magia e a beleza
Da nossa Língua Portuguesa
É maior do que supus
Pego o trem na minha estrada
E na última parada
Desço na Estação da Luz.

Em tempo: Esta mensagem > Minha pátria é minha lingua, cuja criação e texto é de Osvaldo Martins

"A Bibi Lulik anda doida..." de Mau Ida

Oh senhores!

A Bibi Lulik anda doida... Coitadinha da cabrita.

Mas na rima ela vai mui bem
Neste blogue de paz
Pena que contexto não tem
Não pelo vinagre, sim do aguarráz

Bale minha cabrita
Com teus olhos foscos
Chora tua desdita
Alivia os pensares toscos

Mau Ida

Saturday, September 13, 2008

"SAPO CURURO" de Mau Dick






QUE CANTAROLA TODA A NOITE
TENHO UM MANDUKO CURURO OLHO
DIZEM QUE VEIO DA AUSTRALIA
BOM CRU OU ASSADO COM MUITO MOLHO

O MEU SAPO CURURO GIGANTE
PESA QUASE UM KILO DE TOMATE
E BOM COM BATATAS FRITAS
E SALADA DE ALFACE E ABACATE

HOJE E DIA HA TANTA FOMINHA
NADA SE PODE ESTRAGAR
MANDUKO PRO ALMOCO E JANTAR
ATE A BARRIGA SE REBENTAR

MANDUKO A MODA AUSTRALINA
COM MOLHINHO A JAVANES
COME-SE ATE NAO PODER MAIS
FICAMOS ASSIM A FRANCES


UM ABRACO

MAU DICK

"ALMA POETA TIMORENSE ... " de Celso Oliveira




Acabei de ler dois recados:
O primeiro era de um amigo de longa data,
Mais velho do que eu.

O outro era de um amigo mais novo do que eu ...
Tudo isto, graças à tecnologia moderna
Que conseguiu fazer chegar os dois recados escritos, até mim.
Procurei saber o significado.

Na minha aventura como poeta e viajante,
Muitas vezes perdi o controlo de ser um verdadeiro TIMORENSE!
Coloquei-me, liguei-me ou entreguei-me com todo o meu ser: o corpo e mente.

O recado era : como representar a verdadeira ALMA TIMORENSE?
A mensagem era forte, pesada para se ouvir.
Mas confesso: gostei de a ouvir!

Talvez, um cheiro do café de Timor possa matar a saudade.
Talvez, uma sintonia de “koremetan”(instrumental) possa matar a minha saudade...
Talvez, uma comida típica timorenses entre "batardan", "katupa" e "sasate", possa matar a Minha saudade....

Sei que há muitos velhos timorenses que desejam que todos os seus filhos
Preservem o espírito de ser Timorense.
Sei que há muitos filhos timorenses no estrangeiro que continuam a procurar a sua raiz Timorense.
Sei que há muitas mães que rezam, para que um dia louvemos a palavra de TIMOR...

Por mim, tudo bem

Thursday, September 11, 2008

"HA PALAVRAS QUE NOS BEIJAM" De Alexandre O'Neill


Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca,

Palavras de amor, de esperança,

De imenso amor, de esperança louca.


Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto,

Palavras que se recusam

Aos muros do teu desgosto.


De repente coloridas

Entre palavras sem cor,

Esperadas, inesperadas

Como a poesia ou o amor.


(O nome de quem se ama

Letra a letra revelado

No mármore distraído,

No papel abandonado)


Palavras que nos transportam

Aonde a noite é mais forte,

Ao silêncio dos amantes

Abraçados contra a morte

"Perdão " De João de Deus



Seria o beijo
Que te pedi,
Dize, a razão
(outra não vejo)
Por que perdi
Tanta afeição?
Fiz mal, confesso;
Mas esse excesso,
Se o cometi,
Foi por paixão,
Sim, por amor
De quem?... de ti!
Tu pensas, flor
Que a mulher basta
Que seja casta,
Unicamente?
Não basta tal:
Cumpre ser boa,
Ser indulgente.
Fiz-te algum mal?
Pois bem: perdoa!
É tão suave
Ao coração
Mesmo o perdão
De ofensa grave!
Se o alcançasse,
Se o conseguisse,
Quisera então
Beijar-te a mão,
Beijar-te a face...
Beijar? que disse!
(Que indiscrição...)
Perdão! perdão

Wednesday, September 10, 2008

"JA CAVALGASTE A ETERNIDADE" de Mau Dick




JA CAVALGASTE A ETERNIDADE
DESDE AQUELES TEMPOS INICIAIS
HOJE PODES TER BASTANTE ORGULHO
SEM PERTENCERES AOS GENERAIS

SER POETA E SER ARTISTA
NAO RECEAR BRINCAR COM PALAVRAS
MESMO QUE EM ALGUNS DIAS
O RICOCHET SEJA DAS AMARGAS

SIM DESDE 2006 AINDA ME LEMBRO
COMO SE ONTEM TIVESSE SIDO
MANDO-TE UM GRANDE ABRACO
DESTE TEU IRMAO DESCONHECIDO

UM ABRACO

MAU DICK

Monday, September 08, 2008

"Ajudar Timor do Norte a Sul " - Poema de Mau Dick publicado em 2006


DO TIMOR DO NORTE A SUL
MARACUJA MADURO POETA
DO VERDE,VERDINHO VINHO
QUE EMBEDEDA O MEU ETECETERA

JA ATINGISTE 13 COMENTARIOS
A FERROS E FOGO DE ARTILHARIA
QUANDO COMPLETARES UM ANO
COMEMORAREMOS A ANARQUIA

CONTRATA A MANA MARGARIDA
PARA PREENCHER ESTE DESERTO
POIS ELA PALHA ESCARAFUNHA
E O MALAI DA COR DO CEU E ESPERTO

O MARI QUE ESTA DESEMPREGADO
E TAMBEM ESCREVE "AL DENTE"
CONFORME LI NO OUTRO DIA
QUER O MATAN RUAK PR'A PRESIDENTE

TIMOR PAIS DE GRANDES POETAS
DE SONHADORES E ESCRITORES
MAS DE FRUTA SO MESMO MARACUJA
MARACUJA DOS MEUS TREMORES


UM ABRACO

MAU DICK
(IMPLORADOR PARA MAIS COMENTARIOS
PARA O SITE DO MARACUJA)

"SER POETA,SER TIMORENSE" de Celso Oliveira





Um papagaio caiu em cima do tecto da minha casa.
Era de manhã, no princípio do mês de Agosto.
Na Inglaterra, país onde eu vivo, escrevo e admiro.
Chuva??? Sim.
No verão de 2008.


Não sei se aconteceu, apenas, na minha imaginação...
O que é certo, é que a olhar para o papagaio, surgiu-me, então, outra ideia.
Foi assim:
“Quando eu comecei a aprender a língua portuguesa, nunca pensei
Que um dia iria escrever os meus poemas em Português”.


Hoje em dia, tenho orgulho em ser Timorense,em ser um poeta viajante.
Tenho que confessar a minha paixão pelo mundo literário
E revelar, também, a minha sensibilidade pelo mundo que me rodeia.


É bom aprender a língua portuguesa.
É bom saber exprimir as nossas ideias na língua de Camões, Saramago, Lídia Jorge, Manuel Alegre e outros poetas e escritores portugueses.


O vento começou a soprar e levou com ele algumas das minhas ideias,
Enquanto eu permaneço no meu lugar, a olhar para fora.
Entrego todo o meu ser: o meu corpo e a minha mente, a quem queira ouvir- me
E juntar-se comigo, na busca do papagaio pendurado no tecto da minha casa.


O papagaio bonito, lindo de cor branca desapareceu da minha mente.
Mas a minha memória sobre o meu primeiro contacto com a língua portuguesa continua a permanecer.


Obrigado por ti
Obrigado por Timor

Sunday, August 31, 2008

"ERA UMA VEZ UM AÇORIANO" de Mau Dick

ERA UMA VEZ UM ACORIANO
A QUEM SE CHAMA DE MADRUGA
NAVEGADOR DOS SETE COSTADOS
CARA VELHINA SEM VERRUGA

UM BELO DIA DECIDIU VISITAR TIMOR
E NUM BELO VELEIRO PARTIU
FEZ CHORAR AMIGOS QUE NAO TINHA
ATE O A.VERISSIMO SE RIO

VAI BEBER A AGUA DE COCO
POR MOSQUITOS SER PICADO
ABENCOADO PELOS BISPOS
E COMER BACALHAU, BEM REGADO

MAS QUE LINDA HISTORIA
QUE HA MUITO TEMPO NAO OUVIA
FEZ-ME ARREPIAR A PELE
E FEZ CANTAR A COTOVIA



UM ABRACO

MAU DICK

"IHA FOTOGRAFIA BOOT NICOLAU LOBATO NIAN IDA NIA OIN" de Abe Barreto

*) “Tetaplah bersinar meski setiap kali kita tesungkur”
NELSON MANDELA


Ba rai lulik ida-ne’e,
ba rai kmanek ida-ne’e,
nia fó nia fuan, nia fó nia aten, nia fó nia neon.

Nia--ita-nia mestre,
nia—ita-nia mata-dalan,
hatudu naroman.
La’o no husik hela ita,
ho otas nurak,
La’o no rai hela ba ita, ho liafuan murak:
“A nossa victória é a questão do tempo!”
--
Agostu 2008

Abe Barreto Soares

"E O AÇORIANO MADRUGA " de Mau Dick


E O AÇORIANO MADRUGA LA ZARPOU
DESEJAMO-LO UM FELIZ REGRESSO
UM VERDADEIRO PORTUGUES
MAIS UM MARCO AMIGO NO PROGRESSO

E QUANDO ESTIVERES PERTO DOS AZORES
E VERES-TE DE MILHAFRES RODEADO
LEVANTA A CABECA BEM ERGUIDA
O POVO DE TIMOR DIZ OBRIGADO

E NAO TE ESQUECAS DE CONTAR
AOS TEUS NETINHOS, TAL FEITO
ES UM VALENTE PORTUGUES
UM HOMEM QUASE PERFEITO

UM ABRACO

MAU DICK

Maluk leitor sira hotu,

Dili, 27 fulan-Agostu, 2008

Maluk leitor sira hotu,

Ho laran haksolok ha'u hakarak hato'o katak ha'u apresia tebes ho imi-nia liafuan kmanek ne'ebe fo sai kona-ba poezia sira maka ha'u haruka tiha ona ba iha blog ida-ne'e. Ita sorte tebes iha maluk ida hanesan Maracuja Maaduro, ne'ebe iha vontade boot atu mantein nafatin blog ida-ne'e, hanesan fatin ba ita atu dada lia artistikamente. Imi-nia apresiasaun murak no klean ba poezia sira ne'e, kria tebes duni komunikasaun ida maka furak entre ita hotu.

Ha'u hein katak ha'u sei iha kbiit liutan atu hakerek no hakerek, iha tempu sira ikusmai.

Ho poezia, ita hananu, ho poezia ita tebe, ho poezia ita dahur. Ho poezia ita dada lia. Hamutuk ita
la'o, hakat hasoru loron aban.

Ksolok wain,
ABE BARRETO SOARES

"ENCARNACIOUS FLORIBUNDA RESSUSCITATIS"


SOU POETA MESMO NAS BORRADELAS
NAO FAZES CALAR A LIBERDADE
DIGAS O QUE DISSERES
SEREI POETA PARA A ETERNIDADE

E TU MEU MARMANJO INVEJOSO
DEFENSOR DO QUE E DESPREZIVEL
AINDA ME METES MAIS NOJO
AO DEFENDERES O INDEFENSIVEL

SEI QUE ESTA MUITO ABORRECIDO
POR TER TOCADO NO CAIOLAS
MAS A VIDA TEM DESTAS COISAS
MEU GRANDESISSIMO GABAROLAS

VOU ACABAR POR AQUI HOJE
POIS JA E TARDE E SUFICIENTE
MAS SE TIVERES MAIS PALEIO
RESPONDEREI CERTAMENTE


ENCARNACIOUS FLORIBUNDA RESSUSCITATIS

Thursday, August 14, 2008

#SEXTA FEIRA 8 DE AGOSTO" de autor anónimo

SEXTA FEIRA 8 DE AGOSTO

SEXTA FEIRA 8 DE AGOSTO
SENTADO A FRENTE DA TELEVISAO
VEJO O "CAIOLAS" TODO POSTO
NO DESFILE OLIMPICO,QUE GOZACAO

EM SIDNEY FOI O MANINHO
AGORA E A VEZ DO MANAO
SEXTA 8 DE AGOSTO DE MANSINHO
SENTADO A FRENTE DA TELEVISAO

ASSIM FICA TUDO EM FAMILIA
MAS QUE GRANDE OLIMPICO ACTO
DAQUI A 4 ANOS QUERO VER O DIOGO
O LACLUBAR, SACUNAR E O MOUSACO

VOU CONCORRER A UM DESTES TRABALHOS
E TRABALHAR NA COPOFONIA
DAQUI A 4 ANOS DEIXO OS TALHOS
MARCHAREI NO AMENASSA EM SINTONIA

UM ABRACO

ENCARNACIOUS FLORIBUNDA

ªEra Uma Vez, no Meu Quartoª de Celso Oliveira

A minha vida é uma estrela. É uma estrada que indica o meu último destino. A minha vida é um barulho que vem “das conversas e dos gritos” dos meus próprios filhos, antes de irem dormir. A minha vida é um olhar sério para as letras que formam as frases da minha própria obra. Claro que me refiro à obra literária. A minha vida “sem mais sem menos” vai contar-vos tudo. Um dia, cantaremos, com certeza, a PAZ, a LIBERDADE, a JUSTIÇA e o PROGRESSO em Timor.

Agora, estou a dirigir-me para dentro dum quarto escuro. Lá fora, ainda é de dia. Vou reflectir sobre todo o meu ser. Vou ouvir todos os barulhos dos carros que passam à frente do meu quarto. Vou ouvir todas as conversas das pessoas que passam e as gargalhadas das crianças que gritam fora do meu quarto. E eu estou sozinho. A minha vida é um PROGRESSO.

Olhei para o espelho. Lá, encontrei um corpo e uma alma timorense. Lá, vi nos seus olhos, mas não disse nada. A minha terra é linda e rica, mas eu estou longe dela.

Parei de pensar, olhei para as frases, mas não senti nada. Tudo é vazio. Sem mim, de certeza que vocês não vão ler estas frases. Eu sou um de vocês que amam a PAZ e o PROGRESSO em Timor.

Continuo a estar no meu quarto escuro, mesmo que lá fora ainda seja dia. Os alarmes tocam, mesmo sem um perigo na minha porta, na minha casa, no meu bairro e mesmo dentro do meu coração.
Mas, pelo vistos, pelo silêncio que estou a sentir, parece que lá fora já não há mais sinal de vida. Isto significa que já é de noite. E eu continuo a escrever sobre o meu dom, o meu ser humano. E eu sou um de vocês, que amam a LIBERDADE.

Os barulhos, as conversas e os cânticos das crianças são lindos. As crianças têm todo o direito de ser crianças. Eles começam a dizer o alfabeto de Aa Bb Cc Dd Ee... até Zz.
Obrigado a ti, por estares sempre ao meu lado e por me apoiares no meu percurso literário.

* Celso Oliveira, poeta timorense

"UKUN RASIK AN" de Abé Barreto

*) UKUN RASIK AN

1. UKUN RASIK AN ITA HOTU SOSA HO RAAN!

2. UKUN RASIK AN ITA SOSA HO RUIN NAMLEKAR!

3. UKUN RASIK AN, LIA FUAN LULIK, LIA FUAN MURAK!

4. UKUN RASIK AN ITA TANE, ITA HAHII HAMUTUK!

5. UKUN RASIK AN HALIBUR ITA TOMAK HANESAN TIMOROAN!

6. HAMUTUK ITA MEHI IHA LORON HORISEIK!

7. HAMUTUK ITA MEHI IHA LORON OHIN!

8. HAMUTUK ITA MEHI, HASORU LORON ABAN ATU HALO TIMOR-LESTE SAI UMA LARAN IDA DE’IT NAFATIN TO’O RAI NABEEN!

9. ITA-NIA UMA LARAN FO’ER, ITA HOTU MAKA SEI SINTI LA FURAK!

10.HAMUTUK ITA FUTU AISAR, HAMUTUK ITA DASA FO’ER HALO MOOS IHA ITA-NIA UMA LARAN!

Dili, 27 Novembru 2006
Hosi Abé Barreto Soares

*) Reflesaun ne'e tuir loloos atu fó ba maluk oan ida hosi Hera, Distritu Dili maibé to’o ikus nia la konsege foti hosi ha'u-nia liman. Nia promete atu mai foti atu uza reflesaun ne’e iha enkontru rekonsiliasaun no ba iha seremonia komemorasaun loron independénsia nian iha 28 Novembru, tinan 2006.

Sunday, August 03, 2008

"Timor do Norte a Sul"


Leitor Amigo:

Gostaria apenas de recordar que:

"Timor do Norte a Sul"


É um blog que está aberto a todos os que de forma positiva queiram participar com algo que nos faça ter orgulho da nosso trabalho, das nossas raizes e acima de tudo da nossa existência como seres humanos. Se é poeta, ensaista, contador de histórias, fotógrafo,pois partilhe com os leitores do Timor de Norte a Sul. Em Português, em Tetum ou em Inglês. Timor do Norte a Sul é seu....
Aqui fica o meu apelo :

Proteja este blog que é seu... e não use para outros fins ...Eu o criador do "Timor do Norte a Sul" vou continuar a mantê-lo com a mesma linha inicial . Agradeço o vosso apoio e compreemção.

Vosso Amigo

Maracujá Maduro

"TOMA LA NABOS" de TJ e comapnhia

ERA UMA VEZ UM TLN BLOG
QUE SE DIZIA DEMOCRATICO
PRIMO IRMAO DO TIMOR ONLINE
MUITO SECO E ANTIPATICO

QUANDO A FERVURA SAIU PARA FORA
MATARAM A DITA DEMOCRACIA
SO PUBLICAM O QUE LHES AGRADA
MAS QUE TAMANHA TIRANIA

VAO ACABAR COMO O BACALHAU
NUMA PRATOLA BEM REPIMPADA
POUCO AZEITE E MUITO VINAGRE
PARA AGRADAR AO MEU CAMARADA

MAS QUE FOLIA MEUS SENHORES
AINDA BEM QUE ESTAO EM PORTUGAL
SENAO OS POBRES TIMORES
TERIAM DE ACABAR NO TARRAFAL

SUGIRO QUE MUDEM DE NOME
PARA TOMA LA NABOS
ASSIM A DEMOCRACIA TEM SENTIDO
E MERECEM UNS BONS REBUCADOS



TJ, E COMPANHIA

Monday, July 28, 2008

A poesia de Abé Barreto

Dili, 25 Jullu 2008

“… o mar é poeta que corre a oferecer os versos do seu existir
brilhando para reflectir os sentimentos que não são ditos”
Tozé Borges

Belun leitór/a sira maka ha’u respeita,

Kleur ona mak ha’u la mosu iha “cyberspace” hodi haklaken ha’u-nia poezia ka dadolin oan ruma ba imi, tanba ha’u okupadu tebes ho buat seluk ne’ebé relasiona ho vida moris nian.

Ita hasoru malu fali ohin. Ha’u mosu fali ho poezia oan balu ne’ebé ha’u hakerek iha tinan 2006, tinan kotuk no tinan ida ne’e (favór haree iha aneksu, iha okos).

Hamutuk nafatin iha kbiit domin no dame.

Kmanek no ksolok,
Abé Barreto Soares

------

1.KO’ALIA LIA DOMIN

Lia domin hakat liu rai keta

Lia domin: nu’udar funu ida hasoru “status-quo”

Bainhira ko’alia lia domin, la presiza tan ona durubasa sira.

---
2006-2008


2.LIAFUAN SIRA IHA LIRAS

Liafuan sira iha liras
Liafuan sira semo, hale’u mundu rai klaran

Liafuan sira lakohi ema futu
Liafuan sira lakohi ema sulan

---
2007

3.LÁGRIMAS DO AVÔ CROCÓDILO

Ha’u-nia laran dodok
Ha’u-nia laran taridu
Ha’u-nia laran susar
Ha’u-nia laran kanek

Dodok
Taridu
Susar
Kanek

La halimar

Haree imi oan sira, beioan sira han malu, tata malu la hotu de’it

Ha’u-nia matan been suli,
Sei suli hanesan mota oan ida iha tinan bai-loro,
Bainhira imi la hakat atu buka malu fali, fó liman ba malu
Hodi hakotu lia sakat maka bobar metin imi neon,
kesi metin imi laran
---
2008

4.TURUK NETIK Ó-NIA BEE MURAK
(Meditasaun Loro Makas nian)

Na’i, ha’u ata hamrok
Na’I, ha’u ata hamlaha
Ha’u ata liman ain kole, la’o labele

Turuk netik Ó-nia bee murak ba ha’u klamar no isin

Hamutuk ho Na’i, ha’u sei la sidi
Hamutuk ho Na’i, ha’u sei la monu
---
2008

5.*)BERGURU PADA ANAK

Labarik sira, ita-nia matan-fulun
Labarik sira, ita-nia tilun-tahan
Labarik sira, ita-nia tee-rohan
Labarik sira, ita-nia raan kafuak
Labarik sira, ita-nia liman-ain

Labarik sira, sai sasin moris,
hatutan ita-nia lisan,
husi hun to’o rohan

Labarik sira, ita-nia eskolante
Labarik sira, ita-nia mestre
---
2008

*) Títulu poezia ne’e mai hosi títulu livru ida-ne’ebé hakerek ho lia-indonézia, katak “APRENDE HOSI LABARIK SIRA”.

1:01 AM

Tuesday, July 22, 2008

"Queria comprar um prado " de Bom Dic

QUERIA COMPRAR UM PRADO
ACABEI COMPRANDO UM CAMELO
POIS NAO ERA DO AGRADO
E SO ME DAVA PESADELO

APARECEU-ME UM VENDEDOR
BOM NEGOCIANTE, MEIO CIGANO
QUERIA VENDER-ME 109
SO POR UM ROLO DE PANO

UM ABRACO

BOM DIC

Thursday, June 19, 2008

"PALAVRAS SOLTAS DE PENSAMENTOS FRUSTRADOS"- de Mau Lear



Fiz um poema lindo em tempos que já lá vão
Era uma poesia a Timor que me ia no coração
Rezava assim “ ...no alto de uma montanha”

Montado no meu cavalo alazão!
Era mais que um poema de amor
Era mesmo uma declaração.

Estou no alto desta montanha, mas estou só
Vem Cai Hirik meu amor, hau hadomi ó

Ela era linda,
Seus cabelos negros caiam em cascata de caracóis
Seus olhos negros de azevia grandes e gulosos,
Não perdiam em beleza com a sua boca
de carnudos e doces lábios,
com essa boca maravilhosa de expontânea e eterna gargalhada
que lhe subia do âmago da sua sexualidade e do seu gosto pela vida

Toda ela era poesia
A sua pele era rosada, a sua face ficava
Vermelha de excitação, em momentos de delírio,
Quando o prazer lhe punha o sangue em ebulição

Ela era um vulcão que rebentava em fogo e calor
Com a lava do amor descendo aos gorgolões, quente e expeça pelas faldas do seu corpo de marfim, então o mundo acabava ai.

Estou no alto desta montanha, mas estou só
Vem Cai Hirik meu amor, hau hadomi ó

Mau Lear

Thursday, June 05, 2008

Exposição "Aventura da Língua Portuguesa" na Biblioteca Nacional

Lusa

A ligação do Português com outras línguas não-europeias é destaque na exposição
bibliográfica "Aventura da Língua Portuguesa", que estará patente na Biblioteca Nacional (BNP).

A mostra, que ficará na sala de Referência da BNP até 29 de Agosto, é comissariada
por Telmo dos Santos Verdelho, que no catálogo salienta a "memória histórica da relação interlinguística do português com muitas línguas não europeias",nomeadamente a partir de 1415, quando Portugal conquistou a praça marroquina deCeuta. Essa
influência "alargou-se a toda a África e depois à América do Sul, Ásia e
Oceânia", lê-se numa nota à imprensa da BNP.

A mostra está organizada em quatro núcleos: "Percursos e espaços da língua portuguesa no mundo: a expansão marítima e o encontro interlinguístico"; "Contactos
próximos: o árabe e o hebraico"; "A produção interlinguística no âmbito da missionação: manuscritos e impressos relativos a África, Brasil e Oriente"; e por
último "Lexicografia contemporânea e investigação".

Segundo a mesma nota, "a mostra testemunha a reflexão histórica sobre a diversidade
das línguas e culturas e as dificuldades que as mesmas constituíram nas relações
iniciais de Portugal com outros povos".A exploração marítima portuguesa e a
consequente missionação, tratos de comércio, tratados diplomáticos, revelam
"aspectos do mesmo esforço de compreensão da diferença que os documentos agora
apresentados comprovam".

O padre José Anchieta assume particular destaque no primeiro núcleo onde estão
cartografadas as rotas das caravelas portuguesas que são a origem da actual situação
da língua portuguesa no mundo. O "Diário da Viagem de Vasco da Gama" (1498), de
Álvaro Velho, é um dos documentos expostos e que "pode ser considerado o primeiro
roteiro interlinguístico, onde se encontram múltiplas indicações da consciência da
diferença das línguas encontradas e um pequeno glossário da 'linguagem de
Calecute'", salienta a mesma nota.

A estreita ligação do hebreu a Portugal é salientada no segundo núcleo que apresenta
documentos escritos em hebraico. O comunicado da BNP salienta "a influente e
alargada comunidade judaica" e como esta se fez sentir noutros domínios,
nomeadamente na cartografia. "O reconhecimento social desta elite urbana exprime-se
na inclusão da língua hebraica no currículo humanista a par do grego e do latim".
Neste núcleo são também analisadas as ligações com o árabe, desde a conquista
muçulmana em 711 e mais tarde com as conquistas portuguesas no Norte de África, a
partir de 1415.

O terceiro núcleo é dedicado à missionação e à sua expansão para Oriente, América do
Sul e em África. Neste núcleo são apresentados os primeiros dicionários manuscritos,
feitos pelos jesuítas, quer de línguas africanas, quer de orientais e de etnias
brasileiras. Serão expostas "cartilhas, notícias da chegada da tipografia a paragens
distantes (caso do Japão), glossários de línguas tão exóticas como o concanim
(Índia) ou o tétum (Timor-Leste), transliterações de dialectos brasílicos e
angolanos, notas sobre as estruturas das línguas são alguns dos textos manuscritos e
impressos que dominam este núcleo central", segundo o mesmo documento.

"O último núcleo mostra a produção sistemática e crítica sobre o confronto do
português com línguas que verbalizam civilizações e mundos diferentes", refere a
BNP.

Esta mostra insere-se nas comemorações do Ano Europeu do Diálogo Intercultural.

Thursday, May 22, 2008

" Maracjuja Maduro " de Maduro - de Maudick

O MARACUJA E UMA FRUTA
DE POLITICA NADA PERCEBE
E MAIS ESPERTO QUE A MARGARIDA
E A TARDINHA DANCA O TEBE

A SUA FLOR ENCANTADORA
FLORESCE MAIS QUE O XAVIER
NAO JOGA PAU DE DOIS BICOS
E ESTA ABERTO A QUEM QUIZER

O MARACUJA E PROFESSOR
NA ILHA PARAISO TIMOR
DA LICOES DE CIVISMO
E SO TEM UMA COR

UM ABRACO

MAU DICK

Sunday, May 11, 2008

A LITERATURA COMO OÁSIS NA NOSSA LONGA VIAGEM

(Tema para discussão na conferência “Timor-Leste: Que Futuro?” na UNTL, 23 Abril 2008)

por Abé Barreto Soares


Uma boa tarde para todos os amigos que vieram hoje aqui participar na conferência “Timor-Leste: Que Futuro?”

Antes de mais, gostaria de agradecer aos membros da comissão organizadora por me terem convidado a estar presente, em particular à Dra. Fátima Mendes e à minha amiga Mara, pela consideração que têm manifestado para comigo, convidando-me e envolvendo-me com frequência nas actividades culturais lusófonas em Timor-Leste, especialmente na capital Díli, incluindo nas actividades desta feira do livro.

Eu preparei esta minha intervenção em tétum. Devo dizer-vos, com toda a franqueza, que não me sinto ainda com capacidade suficiente para me exprimir de forma adequada, por escrito, recorrendo ao português. Para traduzir esta intervenção para português, tive a ajuda do meu colega Luis Pinto. O meu português falado também está a amadurecer, mas ainda não está maduro. Por isso, peço a vossa tolerância e compreensão, neste encontro como noutras ocasiões, se repararem que estou a violar alguma regra gramatical.

É com muito prazer que faço parte deste painel, ao lado de outros conferencistas, para vos apresentar algumas breves reflexões sobre o futuro de Timor-Leste. É também para mim uma honra vir à Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), respirar a doce brisa dos ambientes académicos.

Com a minha presença hoje aqui, são cinco as vezes que vim a esta prestigiada universidade para falar sobre questões culturais: em 2002 estive aqui por duas vezes – para participar nas actividades de comemoração da restauração da independência no mês de Maio, lendo poesia, e depois para dar uma palestra no Departamento de Inglês intitulada “Xanana Gusmão: The Man of Letters”; em 2004, estive aqui uma vez para falar no Departamento de Português sobre “Fernando Sylvan: Ha’u-nia Mestre, Ha’u-nia Mentór Literáriu”; e em 2007, uma vez também para falar sobre “Influénsia Literatura Portugueza Iha Ha’u-nia Karreira Literária”.

Num encontro que tive com a Dra. Fátima e a Mara há duas semanas atrás, disse-lhes que poderia voltar a falar na minha intervenção de hoje sobre o tema “Influénsia Literatura Portugueza Iha Ha’u-nia Karreira Literária”, que abordara na UNTL um ano antes.

Mas depois de, no sábado passado, ter visto no panfleto da feira do livro que o tema da conferência de hoje seria “Timor-Leste: Que Futuro?”, mudei de ideias e decidi que falaria sobre um tema diferente. Assim, irei falar hoje sobre “A Literatura como Oásis na Nossa Longa Viagem”.

Timor-Leste, como as outras nações, tem um passado que percorreu, tem um presente que vive com intensidade, e também terá um futuro, com o qual sonha.

O passado de Timor-Leste está, sem dúvida, repleto de zonas de luz e de sombra. O passado de Timor-Leste é uma referência, é um grande espelho para os seus filhos se olharem sem rodeios e assim poderem seguir em frente, enfrentando cada dia com serenidade e alegria

Neste momento, as actividades relacionadas com o desenvolvimento processam-se de modo intenso, como todos sabem. Eu vejo todas as actividades que acontecem actualmente em Timor-Leste, entre o povo, na nação, como parte de uma longa viagem colectiva. No contexto desta conferência, a pergunta que eu gostaria de colocar é a seguinte: como é que a literatura, enquanto ramo das artes, se encaixa neste processo de desenvolvimento?

Para responder à pergunta colocada, eu tentarei defender que a literatura é como que um óasis no deserto, no processo do desenvolvimento. A literatura tem a capacidade de alimentar as nossas almas. A literatura ajuda-nos a mergulhar mais longe nos pensamentos profundos sobre a vida: de onde vimos? onde estamos? para onde vamos? Enquanto povo, enquanto nação, podemos seguir em frente quando as nossas almas recebem um novo alento e se sentem revigoradas . Isto corresponde, se não me engano, àquilo que o poeta Fernando Pessoa quis expressar quando escreveu “Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena!”

A literatura (poesia) ajuda-nos a purificar o coração e o espírito nessa longa viagem. Para reforçar esta ideia, permitam-me que cite o antigo Presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, num discurso que fez no Amherst College, Amherst, Massachusetts, a 26 de Outubro de 1963:

“When power leads men towards arrogance, poetry reminds him of his limitations. When power narrows the areas of man’s concern, poetry reminds him of the richness and diversity of his existence. When power corrupts, poetry cleanses. For art establishes the basic human truth which must serve as the touchstone of our judgement.”

[Quando o poder torna os homens arrogantes, a poesia lembra-lhe os seus limites. Quando o poder estreita as suas preocupações, a poesia recorda-lhe a riqueza e diversidade da sua existência. Quando o poder corrompe, a poesia purifica. Porque a arte define uma verdade humana fundamental que deve servir de pedra-de-toque para os nossos juízos.]

Ainda relacionado com a questão acima referida, o poeta mexicano Octavio Paz provoca-nos ao acrescentar

“if a society eliminates poetry, then that society commits a spiritual suicide”

[se uma sociedade elimina a poesia, está a cometer um suicídio espiritual.]


Enquanto indivíduo que partilho esta longa viagem com os meus irmãos e irmãs timorenses, e como cidadão do mundo, sempre encarei como um desafio as seguintes perguntas existenciais: o que é que eu já realizei? o que faço agora? que irei fazer na minha vida futura? Para reflectir melhor sobre essa preocupação, gostaria de partilhar com os amigos aqui presentes um pequeno poema da minha autoria (que foi traduzido para português pelo meu amigo poeta/cronista Tozé Borges):

SOU UMA PEDRA QUE TU ATIRASTE (PARA O LAGO)

(Uma Meditação Crepuscular)

“quando todas as cordas da música da minha vida forem tocadas, então cada toque Teu criará a música do amor”
Rabindranath Tagore

Senhor, sou simplesmente uma pedra que atiraste
para um refrescante e transparente lago

E afundo-me

Em breve afastando-me para trás do ondular das ondas
que se movem lentamente
para o limite

O pôr-do-sol,
iluminando com os seus raios,
beijando os lábios do lago

O ondular das ondas, suavemente espumando-se

O ondular das ondas, lentamente
desaparecendo

***

2002-2005

Falando agora em termos pessoais, eu tenho actualmente um filho rapaz, com um ano e cinco meses e meio de idade. Evidentemente que nasceu durante a crise política-militar de 2006. Tenho um sonho simples para ele, enquanto pai que colabora no seu processo de crescimento. O meu sonho é assim: gostava de ver Timor-Leste, a terra do crocodilo sagrado, a florescer e a amadurecer no futuro. Dessa forma, o meu filho Habas, aliás Teo, terá uma oportunidade para viver em paz e tranquilidade no nosso país. Para exprimir melhor o meu sonho, gostava de oferecer aos amigos presentes um pequeno poema (que também foi traduzido para português pelo meu amigo Tozé Borges):

FLORINDO ETERNAMENTE

Tudo será esmagado
Tudo será quebrado
Tudo se tornará poeira

Novos rebentos surgirão, florindo a terra plana

Nós rezaremos
Nós cantaremos as canções ancestrais
Nós dançaremos tebe
Nós dançaremos bidu
Circundando as pedras da casa sagrada

Uma grande esteira será estendida
Todos nos sentaremos
Os nossos corações estarão serenos
As nossas mentes estarão tranquilas
Dizendo a verdade
Recontando os males feitos

A felicidade do amor surgirá
A beleza da paz será verde
Florindo e florindo
Florindo eternamente


***

Díli, Junho de 2006

Obrigado a todos pela vossa atenção.

Saturday, April 19, 2008

"Rosa de Oe-CUSSI" de Palmira Marques

Colhi uma rosa
naquele longínquo jardim
em Oecussi
que só existe na minha memória.



…a rosa morreu
e a minha vida esvaiu-se em cinzas.

tu tardas em vir.

és um aitarak cravado em mim;

…da rosa, resta o odor de outras rosas,
que entretanto desabrocharam

e eu, em Oecussi

àquela hora do sol pôr,
perco-te na imensidão do mar…



Palmira Marques

Tuesday, April 08, 2008

BORJA DA COSTA: LIA-NAI’N IDA NE’EBÉ HA’U HATENE

BORJA DA COSTA: LIA-NAI’N IDA NE’EBÉ HA’U HATENE

Hosi *)Abé Barreto Soares

Ha’u hahú hatene kona-ba poeta aliás lia-na’in Timor-Leste nian ida ne’ebé ho naran kompletu Francisco Borja da Costa, moris iha Fatuberlihu, Distritu Manufahi, iha loron 14 fulan-Outubru tinan 1946 liuhosi ha’u-nia belun feto jornalista Australiana, Jill Jollife nia livru, “East Timor: Nationalism and Colonialism” iha finál tinan 1980.

Hosi livru Jill Jollife nian ne’e maka ha’u hatene katak afinál knananuk “Foho Ramelau”, ne’ebé sai tiha FRETILIN nia inu, nu’udar obra poétika Borja da Costa nian.

Hanesan ema ida ne’ebé gosta literatura, no poezia partikularmente, bainhira hatene katak Timor-Leste mós iha poeta revolusionáriu ida hanesan Borja da Costa, iha momentu ne’ebá, ha’u haksolok no iha kuriozidade boot tebes atu hatene liután sé loos maka nia. Ha’u mós hetan inspirasaun barak hosi Borja da Costa atu hakerek netik mós ha’u-nia sentimentu no hanoin liuhosi obra poétika kona-ba Timor-Leste nia hamanasa no tanis. Hahú iha tempu ne’ebá kedas hau konsidera Borja da Costa hanesan ha’u-nia mentór literáriu ida.

Ha’u-nia kuriozidade ne’e hetan ninia resposta bainhira iha tinan 1992—momentu ne’e ha’u iha ona Kanada hanesan refujiadu polítiku ida-- ha’u hetan fotokópia livru poezia Borja da Costa nian hosi ha’u-nia belun feto ativista ne’ebé involve iha grupu solidaridade ba Timor-Leste. Ha’u tenta halo tradusaun poezia Borja da Costa nian sira ne’e ba lian Indonézia hanesan ha’u-nia apresiasaun pesoál ba ninia obra poétika sira.

Iha tinan 1993, ha’u hasoru kantór/ativista Timor-oan, Agio Pereira ne’ebé konsege ba to’o Kanada, partisipa iha Festival Tempu Veraun nian ida. Ami dada lia barak oituan kona-ba Borja da Costa. Hosi Agio, ha’u hatene katak Borja da Costa hameno lia fuan ruma ba nia katak nia hakarak tebes haree nia poezia “Um Minuto de Silêncio” nakfilak an sai múzika. Hatan ba pedidu Borja da Costa nian ida ne’e, Agio konsege duni halo poezia oan ida ne’e sai múzika ida, no mosu iha Agio nia album múzikal, “I Am Still Fighting.”

Furak atu hatene katak obra poétika Borja da Costa nian sira seluk hanesan “Kdadalak”, “Kolele Mai “, no “Um Minuto de Silêncio” sai tiha ona múzika, no liu-liu “Pátria, Pátria” ne’ebe ita-nia Konstituisaun konsagra tiha ona sai hanesan inu nasionál Timor-Leste nian.

Hanesan poezia sira ne’ebé poeta revolusionáriu sira hakerek iha rai-rai ne’ebé deit, lia fuan sira ne’ebé uza iha poezia Borja da Costa nian ne’e mesak simples. Maibé simplisidade ida ne’e maka nu’udar poezia sira ne’e nia kbiit.

Entre poezia Borja da Costa nian sira ne’ebé publika tiha ona ne’e, ha’u gosta liu-liu maka “Um Minuto de Silêncio”. Ha’u-nia isin fulun hamrik tebes bainhira ha’u rona deklamasaun poezia ida ne’e hosi maluk Zeca Branco iha momentu festa restaurasaun independénsia Timor-Leste nian iha Tasitolu iha loron 20 fulan Maiu tinan 2002.

Iha fulan Novembru tinan 2005, to’o ikus Institutu Sahe ba Libertasaun (ISL) konsege halo lansamentu livru poezia Borja da Costa nian ho lian Tetun no Portugés. Ha’u sinti previlejiadu tanba hetan fiar hosi maluk sira hosi ISL atu involve iha prosesu publikasaun livru ida ne’e hanesan tradutór.

Hanesan fó sai iha introdusaun livru poezia ne’ebé lansa iha momentu ne’e katak “Francisco Borja da Costa iha kontribuisaun boot ba dezenvolvimentu kultura nasionál Timor maibé ema barak haluha tiha ona eroi nasionál ne’e nia kna’ar”. Ha’u sei la hakfodak katak ema barak haluha tiha buat ne’e. Borja da Costa mós hanesan poeta sira seluk, maski sira kontribui barak iha sira-nia vida hanesan ema kreativu ida, maibé sira nu’udar hanesan saida maka poeta Libanéz Kahlil Gibran hatete katak , “a poet is a dethroned king sitting among the ashes of his palace trying to fashion an image out of the ashes.”

Hanesan ha’u-nia forma omenajen ida ba Borja da Costa, ha’u konsege hakerek tiha ona poezia rua kona-ba nia. Ha’u buka atu fahe ho maluk leitor sira poezia ida deit iha artigu ida ne’e :

14 OUTUBRU 1946

Kosok oan ida
Moris iha Fatuberlihu iha loron 14 fulan Outubru tinan 1946

Tau naran sarani Francisco Borja da Costa


Ninia inan la hatene katak kosok oan ne’e aban bainrua boot sai
poeta Timor-Lorosae nian ida, ne’ebé ninia moris
ema habadak iha fulan Dezembru tinan 1975

Ninia inan la hatene katak kosok oan ne’e aban bainrua sei
hakerek poezia ida ho títulu “ O RASTO DA TUA PASSAGEM”

ne’ebé doko sentimentu
nasaun tomak ida nian
maka hein hela naroman ahi liberdade
---

Borja da Costa ninia karakterístiku revolusionáriu iha obra literária fó hanoin fali ha’u kona-ba poeta revolusionáriu sira hosi rai seluk, liu-liu hosi Filipina hanesan José Maria Sison, Angola: Agostinho Neto, El Salvador: Roque Dalton, Nicaragua: Leonel Rugama, no Guatemala: Otto Rene Castillo.

Borja da Costa mosu tiha ona iha ita-nia leet, hananu ho ninia obra literária. Nia rai hela tiha ona buat murak ruma molok “nia semo ba mundu seluk”. Hanesan poeta ida, nia halo ita sinti hanesan saida maka Kahlil Gibran hatete iha lian Indonézia katak, “Penyair adalah manusia yang membuat kita merasa---setelah membaca sajaknya---bahwa sajaknya yang terbaik belum digubah.” (Poeta nu’udar ema ne’ebé halo ita sinti—hafoin tiha ita lee nia poezia sira—katak ninia poezia ne’ebé diak liuhotu nia seidauk hakerek).

***

Dili, 23 Janeiru 2008

"Timorese Meditation" de Abe Barreto

TIMORESE MEDITATION

Ami tuur, ho haraik an, iha hadak leten uma “huhun lidun” nian

Ami hamulak ba matebian
Ami harohan ba Maromak
Ami hasa’e lia ba lulik bei ala sira

Haraik rahun-di’ak,
Haraik matak-malirin
Haraik bensaun-kmanek
mai ami, ata oan sira

Atu nune’e,
ami hakat ba oin nafatin,
hala’o viajen naruk
ho aten-barani,
ho neon-luan, no
ho laran-luak
liután
--
Abril 2008

@ Abé Barreto Soares

Sunday, March 23, 2008

"A PAZ ! Meu sonho!...


Sonho "Paz" para Timor!
Amor ! para Timor!
Sonho Pombas brancas
Para o meu Timor!
Sonho! Sonhar!
Amor! Amar!
Timor !
Para ti Timor
Paz e Amor!

Poucas são as minhas palavras !
Apenas quero sonhar!
Que o sonho seja Realidade

M.

"A PAZ E O MEU MAIOR DESEJO" de Mau Dick




A PAZ NAO SE MERECE
A PAZ CONQUISTA-SE IRMAMENTE
E O PRODUTO DA BOA FE DOS HOMENS
SO ASSIM E DURADOURA E PERMANENTE

UMA PALAVRA MINUSCULA
MAS COM UM SENTIDO ENCANTADOR
UMA DAS COISAS MAIS DIFICEIS
QUE MAIS DESEJO AO MEU TIMOR

A POMBA BRANCA REPRESENTA A PAZ
A IRMANDADE A SUA PERMANENCIA
E POR ISSO ENQUANTO TODOS LUTAM
A PAZ MARCA A SUA AUSENCIA

UM ABRACO

O RELIGIOSO MAU DICK

Monday, March 10, 2008

CONVITE "Vamos cantar a PAZ"


A liberdade das pombas a voar , é poesia que me faz sonhar nas longas noites quentes de Timor ou nas manhãs cheias de esperança por dias melhores e cheias de paz para o nosso Timor-Leste .....
Esta fotografia foi tirada em 2006 na praia de Santana enquanto observava o azul maravilhoso do céu.Era uma manhã cheia de sol... Sonhava acordado com uma PAZ duradoura para o nosso Timor-Leste ....A camera está no carro...fui busca-la num pé e voltei noutro... consegui sem perda tempo, registar esta imagem bonita... uma imagem de paz e poesia.

Se acompanha este blog, já viu como esta pequena iniciativa, lançada em 2006, já motivou alguns leitores... que de imediatamento puseram a sua musa em acção e já contribuiram com poemas seus e poemas de outros poetas ....Vamos com a nossa poesia falar de Timor-Leste, de nós próprios e dos outros de uma forma muito pacifica e cheia de amor e sonhos para um futuro cheio de PAZ! PAZ! Não só para Timor-Leste, mas também para todo o mundo de Língua Portuguesa, falemos dos nossos amores e dissabores, das nossas paixões e ódios .... l

Caro leitor, de qualquer parte do mundo, se é poeta, ensaista, etc। manda-nos um poema seu, ou de um amigo para ilustrar esta foto. O seu sentir de amor e paixão não, diga ao/a sua amada e ao Timor do Norte a Sul....mas se o seu sentir é de ódio ou vingança...então o melhor é pegar na sua caneta, escrevê-lo e mandar para o nosso oublog...assim os azeites arrefecem e podemos seguir para um mundo de paz para todos nós...

Obrigado

Maracujá Maduro

"DEMOCRACIA A PROVA DE BALA" de Mau Dick




NUMA BELA MANHA DE SEGUNDA FEIRA
QUIZERAM A DEMOCRACIA MATAR
MAS NEM BALAS NEM FEITICEIRA
JAMAIS SERA CAPAZ DE NOS CALAR

AS VOZES DE BURRO ECOAM
OS "EXPERTS", BOTAM FALADURA
E NO MEIO DE TUDO ISTO
O HORTA VAI PASSANDO "VIDA DURA"

O SALSINHA ENTREGA NAO ENTREGA
O FUTEBOL TAMBEM TEM INTERVALO
ENQUANTO O DIABO O OLHO ESFREGA
ESTA NA HORA DA LUTA DO GALO

O PROCURADOR QUER SABER QUE DIA E
POIS ANDA MUITO CONFUSO
E MELHOR PERGUNTAR AO S. TOME
QUE VIVE EM DIFERENTE FUSO

TIMOR ONLINE ESTA A CAIR DE MADURO
CADA VEZ MAIS PARA UM LADO SO
ASSIM VAO SOANDO A ESTURRO
E VAI ACABAR O PAO DE LO

UM ABRACO

MAU DICK

Thursday, February 07, 2008

"Se eu pudesse" de Xanana Gusmao


Se eu pudesse
pelas frias manhãs
acordar tiritando
fustigado pela ventania
que me abre a cortina do céu
e ver, do cimo dos meus montes,
o quadro roxo
de um perturbado nascer do sol
a leste de Timor

Se eu pudesse
pelos tórridos sóis
cavalgar embevecido
de encontro a mim mesmo
nas serenas planícies do capim
e sentir o cheiro de animais
bebendo das nascentes
que murmurariam no ar
lendas de Timor

Se eu pudesse
pelas tardes de calma
sentir o cansaço
da natureza sensual
espreguiçando-se no seu suor
e ouvir contar as canseiras
sob os risos
das crianças nuas e descalças
de todo o Timor

Se eu pudesse
ao entardecer das ondas
caminhar pela areia
entregue a mim mesmo
no enlevo molhado da brisa
e tocar a imensidão do mar
num sopro da alma
que permita meditar o futuro
da ilha de Timor

Se eu pudesse
ao cantar dos grilos
falar para a lua
pelas janelas da noite
e contar-lhe romances do povo
a união inviolável dos corpos
para criar filhos
e ensinar-lhes a crescer e a amar
a Pátria Timor!

Olho o céu e agradeço
Ter atendido minhas preces
Pacificar meu país
Trazer nova esperança
Restituir o que mereces
Plantar nova raiz
Que dará frutos de mudança

Que venha a paz e a concórdia
Que floresça o entendimento
Que o diálogo seja permanente
Que a mentira não tenha casa
Nem lugar para se esconder
Que o país seja nosso
Acolhedor e independente
Que a liberdade voe na asa
Da alegria que meu povo sente

"Menino abandonado" de MGabriela Carrascalao


01-12-2006

Menino.... Abandonado,
rejeitado!
chorando!...
nas ruas de Dili!...
Secas! Poeirentas!
Menino magoado!
Perdido...
Angustiado!
Geme!
Garoto inocente!
triste, mal amado!
Menino esfomeado!
inocência violada !
criança usada!
rosto massacrado,
lágrimas !
de sangue jorrando!
nas ruas de Dili!...
Secas! Poeirentas!
Criança chorando!
Meu Menino,
garoto magoado!
Triste !...
abandonado!...


MGabriela Carrascalão


1-12-2006

"BURAS ROHAN LAEK" de Abe Barreto


Buat hotu rahun, buat hotu nakfera, buat hotu sai uut tiha ona

Dubun foun sei mosu, haburas rai tetuk

Ita sei hamulak
Ita sei hananu knananuk sira bei ala nian
Ita sei tebe,ita sei bidu, hadulas fatuk uma lulik

Biti boot sei nahe, ita hotu sei tuur
Ita fuan sei mamar, ita ulun sei malirin
Haklaken lia loos, haktuir lia naksalak

Ksolok domin sei mosu, kmanek dame sei matak
Buras no buras, buras rohan laek
--
2006

"Moonlight Dancing" de MGabriela Carrascalão


Moonlight Dancing - titulo em Inglês deste quadro
de MGabriela Carrascalão
, Março de 2003


Loi Sa’e
é aparição!
donzela dengosa,
Vaidosa!
o monte desce,
silhueta ondulante,
a lua ilumina
é convite para o amor!
O batuque grita
de ritmo marcante....
mais alto...
Loi Sa’e geme ...
o mancebo encanta
Dança !...
ao ritmo do batuque
Loi Sa’e, luz da lua
toda ela se mexe ,
é o eco do bamboleio
seu corpo serpenteando...
é som do roçar dos tais
xiu! xiu! assa xiu ! assa xiu!
Loi Sa’e, luz da lua
Dos suspiros em ais!
Loi Sa’e....
O mancebo desafia
dança seu corpo
serpente sensual...
seus seios acaricia ...
ao ritmo do batuque
Loi Sa’e!
À luz da lua
O mancebo espia
donzela dengosa !
Tebe à luz do luar!
É noite para amar!....


Este poema foi retirado do blog " Do outro lado do mundo

"VAMOS TODOS CANTAR A PAZ" de MAU DICK




POIS UNIDOS O CANTO REINFORCA

ESTA NECESSIDADE DO MOMENTO

DE QUE A UNIAO FAZ A FORCA



CANTEMOS EM VOZ BEM ALTA

PARA QUE NOS OUCAM NO PARAISO

CANTEMOS DE CORPO ERGUIDO

CABECA LEVANTADA E GRANDE SORRISO



CANTEMOS A PAZ HOJE E AMANHA

PARA SEMANA, PR'O MES E, SEMPRE

CANTEMOS COM VOZ GROSSA OU FINA

CANTEMOS O QUE A NOSSA ALMA SENTE



E QUANDO ESTIVERMOS CANSADOS

CANTEMOS AINDA MAIS ALTO

PARA QUE NINGUEM TENHA DUVIDAS

NA PLANICE OU NO PLANALTO



QUANDO FICARMOS ROUCOS

PEDIMOS EMPRESTADO NOVA VOZ

PARA MOSTRARMOS A TODO O MUNDO

QUE EM TIMOR NAO ESTAMOS SOS



VAMOS TODOS CANTAR A PAZ

COM TODA AQUELA GARRA E APRUMO

PARA QUE O NOSSO QUERIDO PAIS

INICIE HOJE UM NOVO RUMO



UM ABRACO


MAU DICK

Wednesday, January 30, 2008

"E O JULGAMENTO FINAL " de Mau Dick


ONDE TODOS NOS NAO ESCAPAMOS

O DITADOR TAMBEM NAO ESCAPOU

QUE VA PARAR AO INFERNO,

ESPEREMOS QUE PAGUE A FACTURA

PARA TANTO MAL E SANGUE DERRAMADO

QUE SINTA O CALOR DO PURGATORIOO

CALOR DE UM CABRITO ASSADO

UM ABRACO



MAU DICK

Tuesday, January 29, 2008

“MONANGABÉ” de António Jacinto

Naquela roça grande, não tem chuva,
é o suor do meu rosto, que rega as plantações;
Naquela roça grande tem café maduro e aquele vermelho-cereja,
são gotas do meu sangue, feitas seiva.
O café vai ser torrado,
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado।


Negro da cor do contratado!
Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:
Quem se levanta cedo? Quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa,
a tipóia, ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém,
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinquenta angolares
"porrada se refilares"?

Quem?

Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer

Quem?

Quem dá dinheiro para o patrão comprar,
máquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?
Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande - ter dinheiro?

Quem?

E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:

Monangambé...

Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras,
Deixem-me beber maruvo, maruvo
e esquecer diluído, nas minhas bebedeiras


António Jacinto(Poemas, 1961)

Musicado e interpretado por Rui Mingas

“LIAFUAN SONA BORUS, LIAFUAN SONA KLEAN” de Abé Barreto Soares

Liafuan, kro'at liu tudik
Liafuan, meik liu surik

Liafuan, sona borus ita fuan
Liafuan, sona klean ita neon

Keta naran losu
Keta naran lekar
Keta naran kari
Keta naran tuda



--


Janeiru 2008


Abé Barreto Soares

Monday, January 21, 2008

"OS CLICHÊS DA REVOLUÇÃO" de Abe Barreto Soares

Ascendemos a chama da luta!
Engolimos a amargura da derrota!
Anciamos a doçura da victória!

---
1996-2007

Abé Barreto Soares

Friday, January 04, 2008

"RAI TIMOR, RAI LAFAEK, RAI LULIK" de Abe Barreto

Se ó-nia tilun ba nia halerik
Loke ó-nia matan ba nia hamnasa


Tetu nia halerik iha dasin ó fuan
Tetu nia hamnasa iha dasin ó neon


Ó sei la monu
Ó sei la sidi, sama ó-nia ain iha nia foho lolon sira


---

2007

Abé Barreto Soares

Monday, December 31, 2007

MENSAGEM DE FIM DE ANO DO PRESIDENTE MAU DICK.

TIMORGUESES!
NESTA MENSAGEM DE FIM DE ANO,VENHO AQUI HOJE JUNTAR A MINHA VOZ, A LINDA ESCRITA DA MARIA ANGELA, E TAMBEM A DRAMATICA DEFESA DA LUSOFONIA DO VERISSIMO।(COM UMA DEFESA A COSTA PEREIRA DE CORREIA)EM 2008 O MEU PAIS ENVIARA PARA TIMOR UMA UNIVERSIDADE DE ENGENHARIA QUE FUNCIONARA PRINCIPALMENTE AOS FINS DE SEMANAPARA FORMAR FUTUROS ENGENHEIROS, COM MIRA NO CARGO DE GOVERNO।UMA CADEIA DE NOTICIAS EM LINGUA PORTUGUESA, TENDO EM CONTA AS MUDANCAS ORTOGRAFICAS PROMETIDAS।A UNIVERSIDADE VAI SER DIRIGIDA POR HENRIQUE CORREIA E A CADEIA DE NOTICIAS POR VERISSIMO।ASSIM QUE O "DUREZAS' ACABAR O TEMPO NO POSTO EUROPEU, SEGUIRA PARA DILI COMO EMBAIXADOR।OS MEUS VOTOS DE UM BOM ANO NOVO।

UM ABRACO

MAU DICK


Wednesday, December 26, 2007

“ História Antiga” de Miguel Torga




História Antiga
Era uma vez, lá na Judeia, um rei।
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação।
Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga

Saturday, December 22, 2007

Presente de Natal


Quero que todos os dias
Sejam dias de Natal
Para todos terem alegria
E a ninguém lembrar o mal
Ò menino! Não te esqueças
De me dar um presente
Transforma todos os dias
Em Natais p'ra toda a gente।
Em Natais quentes de amor
Com cestos cheios de pão
Com luzes, sinos e febres
Com homens todos irmãos

"Natal dos Simples"


Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro
Vamos às raparigas Solteiras
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro
Vamos às raparigas casadas
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas, pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à 'ventura
Pam-pararan-ri-rí
Pam-pararan-ri-ri
Pam, pam, pam, pam।


Que Deus nos proteja ! ( De Manecas de Fatu Hada )



Mais um ano prestes a terminar
E Timor –Leste continua a chorar!
Falta de Amor!
Paz!
E respeito pelo próximo!
Para prenda de Natal!
Que Deus nos proteja !
Que Deus nos proteja!
Nos de aqueles sorrisos!
Jenuinos dos nossos garotos !

Feliz Natal e que o Ano Novo de 2008 seja repleta de muita paz e amor!
Manecas (de Fatu Hada)

"TIMORSEPIO" de Mau Dick




NUMA TENDA MANJEDOURA DO AEROPORTO
O S.JOSE XANANA MUITO ORGULHOSO
NAO TIRA OS OLHOS DO FILHO REINADO
AO LADO N.SENHORA HORTA DO AMOROSO

OS TRES REIS MAGOS ADORAM
SOCRATES,RUDD E BANBANG MAUN
OS ANIMAIS EM OPOSICAO BAFEJAM
NASCEU NOVO MESSIAS PR'A NASSAUM

E OS PASTIMORZINHOS MAIS UMA VEZ
LA TEM QUE AGUENTAR COM A FANFARRA
NESTA MUI LINDA QUADRA FESTIVA
CANTEMOS SENHOR,HINOS EM ALGAZARRA

A UN-ESTRELA CINTILANTE BEM ALTO
ALUMIA TIMOR INCANDESCENTEMENTE
MAIS REIS MAGOS SE APROXIMAM
POIS O "MENINO" E "GRANDE GENTE"

BOAS FESTAS DE NATAL, RESTO RESTO,
VENHA CA.

UM ABRACO

MAU DICK

Thursday, December 13, 2007

VEM AI O PAI NATAL

VEM AI O PAI NATAL
E MUITO ARROZ CHEGANDO
HA ALEGRIA NA CAPITAL
E A AMP VAI GAMANDO

SETE E MEIO PARA TI
SETE E MEIO PARA MIM
SETE E MEIO PARA ALI
PARA POVO NEM UM SHELIN

GONCALVES ESTA SORRIDENTE
E A GONCALVES MUITO MAIS
QUE GRANDE INCOMPETENTE
ESTE GOVERNO DE JACAIS

xinoco

"PONTE CAIS DILI" de Abe Barreto

Rai nakaras hakbesik mai dadaun
Ahi oan lampu Ponte Cais nian lakan-mate

Laloran tasi baku ba ninin
Hafurin fatuk ba’e sira

Istória lubun ida mós
Hein hela atu haklaken
Ba ita hotu
--
2007

@ Abé Barreto Soares

12:50 AM

Friday, November 30, 2007

CARO PAI NATAL E MAE NATALICIA

EM PRIMEIRO LUGAR DESEJO QUE ESTA MISSIVA

VOS ENCONTRE DE BOA SAUDE, POIS EU CA VOU
UMAS VEZES ANDANDO E OUTRAS DESANDANDO.
(OUVI DIZER QUE E DO CARUNCHO).

APROXIMA-SE O NATAL E TOMEI A LIBERDADE
DE LHES ESCREVER
COMO E DA PRAXE, E, AO MESMO TEMPO FAZER UNS PEDIDINHOS:

a) GOSTARIA QUE DESSEM AO ZE HORTA MUITA SAUDE,
PARA VISITAR 3 A 4 PAISES POR ANO.

E QUE 63 MILHOES DE EUROS 3 A 4 VEZES POR ANO
E MUITA BAGALHOCA;

b) GOSTARIA QUE INTERFERISSEM NO SENTIDO DO
ZE HORTA TER AUTORIDADE PARA NOMEAR
OS PREMIOS DA PAZ .
E QUE E MEIO CAMINHO ANDADO PARA A TALUDA;


c) EM ULTIMO LUGAR GOSTARIA QUE TROUXESSEM
MUITA PAZ E AMOR AO POVO DE TIMOR LESTE.



UM ABRACO

MAU DICK

Sunday, November 25, 2007

Pátria de Borja da Costa



Hino Nacional de Timor-Leste

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Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação. Glória ao
povo e aos heróis da nossa libertação.


Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.


Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.


Vencemos o colonialismo,
gritamos:


Abaixo o imperialismo.


Terra livre, povo livre,


Não, não, não à exploração.


Avante unidos firmes e decididos.


Na luta contra o imperialismo


O inimigo dos povos, até à vitória final.


Pelo caminho da revolução.

"OS MEUS BERLINDES" de Mau Dick

OS MEUS BERLINDES DE OUTRORA
CARO MANECAS AMIGO MEU
ERAM UNS GRANDES VENCEDORES
DO CAMPEONATO BERLINDE DE AILEU

AOS KALEIKS ERA UM MESTRE
VINHA SEMPRE EM PRIMEIRO LUGAR
UM FLICK DOS MEUS BERLINDES
UMA KALEIKADA DE FAZER GOZAR

NO JOGO DE ELASTICO CAMPEAO
ENTRAVAM SEMPRE A MATAR
UM FLICK DOS MEUS BERLINDES
ESTOU-ME AGORA A LEMBRAR

A MENINICE QUE NAO SE ESQUECE
NUM MUITO LONGINGUO TIMOR
OS ANOS VAO-SE PASSANDO
E EU CADA VEZ MAIS CHEIO DE AMOR

UM ABRACO

MAU DICK

Thursday, November 15, 2007

Minha pátria é minha língua, Mangueira meu grande amor. Meu samba vai ao Lácio e colhe a última flor.



CRIAÇÃO E TEXTO:
OSVALDO MARTINS

SINOPSE:
A esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral, que deixou Lisboa em 9 de março de 1500, era a maior até então reunida para navegar no Atlântico. Não fez nenhuma escala até tocar a costa brasileira e era composta por 1500 tripulantes. Não se conhece, exatamente, os nomes das 13 embarcações.

Vencendo a fúria de ventos agitados,
Singrando “mares nunca dantes navegados”,
Lá vêm elas - tão frágeis e tão belas -
Sorriso aberto em suas velas:
Dez naus, três caravelas.

Muitos séculos antes do Descobrimento do Brasil, o Império Romano havia conquistado vastos territórios da atual Europa. Não foi uma conquista apenas política e territorial – foi também cultural. Os exércitos romanos impuseram seu idioma – o Latim vulgar – que em cada região deu origem a uma língua diferente (Português, Francês, Espanhol, Italiano, Romeno, etc.). O Latim, por sua vez, tem origem no Lácio, uma região do centro da atual Itália onde surgiu Roma.

Trazem a bordo um rico tesouro
Que não é prata nem é ouro.
É uma herança, uma bonança
Mais valiosa que um palácio:
A última flor do Lácio.
“Inculta e bela”, como Bilac cantou
És meu pendão, meu refrão,
Pura e singela, és minha flor na lapela
Que o tempo enfim consagrou.

O Português é hoje o sexto idioma mais falado no mundo. É a língua oficial de oito países dos cinco Continentes: Portugal, Brasil, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. São cerca de 250 milhões de falantes, a maioria no Brasil. O idioma de Camões tem palavras que não encontram tradução em outras línguas. Exemplos: luar e saudade.

Brota em meu peito uma forte emoção
Quando vejo um cenário de tanta beleza!
Deus, em sua Criação, fez questão
De mostrar sua mania de grandeza
Quando dotou o Brasil, sua grande paixão
- e disso eu tenho certeza -
Do idioma que fala ao pulsar do coração:
A nossa Língua Portuguesa!

Ao chegar ao Brasil, trazido pelos descobridores em 1500, o Português sofreu primeiro a influência das línguas faladas pelos indígenas que habitavam o litoral: o Tupi e o Tupinambá. Mais tarde, o Português foi enriquecido por palavras do Banto e do Iorubá, idiomas falados por escravos africanos. Essas contribuições formaram o Português “brasileiro”, uma língua mestiça em constante evolução. Mais recentemente, no século 19, o Português falado no Brasil incorporou também expressões trazidas por imigrantes de várias partes do mundo.

O idioma de Camões, Eça e Pessoa
Aos poucos se abrasileirou
Com a fala dos índios e seu cantar
Misturando o tupi e o tupinambá.
Depois o negro da nação iorubá
Botou “axé” e todo o seu encanto
E até o samba que também é africano
Ganhou a “ginga” que veio do banto.

As influências indígena e africana eram tão fortes que os próprios jesuítas portugueses usavam esses idiomas - conhecidos como a “língua geral” - em sua catequese. Até que, em 1758, o Marquês de Pombal decretou, proibiu outro falar no Brasil que não fosse o Português. No ano seguinte, expulsou os jesuítas do país. A vigilância portuguesa impôs a ferro e fogo o decreto de Pombal e, graças a ela, produziu-se o milagre de hoje um país de dimensões continentais como o Brasil ter um único idioma. A língua é o maior símbolo da identidade e da integração nacional do povo brasileiro.

Foi seu Pombal quem garantiu
No carnaval do meu Brasil
O samba de uma fala só.
Em verso prosa o povo inteiro
Canta alegre, em “brasileiro”
No frevo, no choro e no forró.

Além de grandes autores portugueses como Luiz de Camões, Padre Vieira, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa, o nosso idioma tem no Brasil outros tantos luminares: os cariocas Machado de Assis (primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras) e Olavo Bilac, o alagoano de Quebrângulo Graciliano Ramos (Vidas Secas, Memórias do Cárcere), o mineiro de Itabira Carlos Drummond de Andrade (Brejo das Almas, José), o fluminense de Cantagalo Euclides da Cunha (Os Sertões) e muitos outros, considerados clássicos da língua portuguesa.

Hoje a Mangueira, toda airosa
Engalanada em verde e rosa
Canta o idioma que ressoa
Do Oiapoque ao Chuí
Lembra Eça, louva Pessoa,
Inventa um passo e num abraço
Traz Lisboa para a Sapucaí.

Nos grandes mestres fui buscar
O enredo do meu samba pra contar
A saga de um povo altaneiro
De vidas secas nos sertões
De muita luta nos grotões
Como pregava Antonio Conselheiro.

Grandes poetas brasileiros, como Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Cartola, Caetano Veloso, Guilherme de Brito e tantos mais encontraram no samba uma forma superior de falar à alma do povo. A música brasileira difundiu o idioma e aproximou a “última flor” da gente simples que canta, e se encanta.

Minha pátria é minha língua
Minha pena é minha espada.
A paixão não morre à mingua
Se é pra ti, mulher amada,
Que nos versos magistrais
De Vinícius de Morais
Sobre o amor ele proclama:
É “infinito enquanto dure”, e
“Imortal posto que é chama”.

Os poetas de Mangueira
Também sabem que a paixão
É sua melhor parceira,
Sua grande inspiração.
Foi o amor à minha Escola
Num preito de pura emoção
E ternura em cada rima
Que inspirou Mestre Cartola
A compor essa obra-prima
Que é “Sala de Recepção”.

Ó, amada Língua Portuguesa, poética, infinita... Quantos milhares, milhões de escritores, poetas, romancistas, histórias, personagens tu ocultas que por mais que se procure mais existe a desvendar! Bem sei que não cabes inteira no meu samba, que é pequeno demais pra te homenagear. Tão bela tu és que tinha de ser teu o primeiro museu. Não há no mundo outro igual, nem mesmo em Portugal. O endereço é um só, aquele que nos conduz à velha Estação da Luz - teu templo, tua morada, onde podes, como mereces, ser adorada.

Eu sou de uma estação
A Estação Primeira
Que me ensinou uma lição
Durante minha vida inteira:
Só meu samba me conduz
E só Mangueira traduz
A paixão mais verdadeira.

Mas se quero ter certeza
Que a magia e a beleza
Da nossa Língua Portuguesa
É maior do que supus
Pego o trem na minha estrada
E na última parada
Desço na Estação da Luz.

Em tempo: Esta mensagem > Minha pátria é minha lingua, cuja criação e texto é de Osvaldo Martins

Coleção reúne poesias de língua portuguesa



Da Redação
Mundo Lusíada

No passado dia 04 de outubro, foi lançado em Porto Alegre (RS) a Coleção Pôépurú, com poesias de Língua Portuguesa. O editor e poeta Paulo Bacedônio reuniu poetas clássicos e contemporâneos dos oito países de língua oficial portuguesa para este trabalho.

Com projeto de um livro de bolso "semi-artesanal", a Coleção Pôépurú tem uma tiragem de 50 mil exemplares, 22 páginas de poesia, com miolo impresso e capa colorida, acabamento manual e costurado com barbante.

O primeiro volume a ser lançado traz 5 poemas barrocos, de Manuel Botelho de Oliveira, poeta nascido em 1636 na Bahia, e falecido em 1711. Segundo a assessoria de Bacedônio, o primeiro poeta nascido no Brasil e o primeiro a publicar em livro. Em 1705 publicou Música do parnaso, obra que reúne poemas em português, espanhol, italiano e latim.

No volume 2, Sonetos, de Antero de Quental, poeta nascido em 1842 em Ponta Delgada, no arquipélago luso dos Açores, e falecido em 1891, é um dos maiores sonetistas da língua portuguesa, ao lado de Luís de Camões e Bocage.

O projeto que traz poesias de Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Timor Leste, foi lançado no Caffè di Trento, no Centro Cultural CEEE / Erico Verissimo (Rua dos Andradas, 1223 Porto Alegre, RS),

Editor e Poeta
Integrado no mundo poético, Paulo Bacedônio já esteve participando das Comemorações do Bicentenário de Nascimento do Poeta Manoel de Araújo Porto-Alegre, e como editor lançou em 2006 a publicação Colombo (fragmento do canto XXVI), uma edição especial de resgate histórico, com a ortografia da 1ª edição de 1866, em parceria com a Secretaria de Cultura de Rio Pardo/RS. Neste ano, lançou ainda Poemas, do poeta, professor, e crítico português António Soares.

É autor de obras como Embrionário (1996), Livro cálido (2005) e IV poemas (2006). Participou de Congressos Brasileiros de Poesia, em Bento Gonçalves/RS e do 1º Encontro Internacional de Poesia, com escritores brasileiros e uruguaios, além da 7ª Bienal Internacional de Poesia Visual/Experimental do México. E assim, tem divulgado seus poemas em diversos países.

Tuesday, November 13, 2007

DAR A LUZ(GERADOR DE ALTA TENSAO) de MAU DICK

VOU A TIMOR DAR A LUZ
COM GERADOR DE ALTA TENSAO
A NOITE PASSARA A SER DIA
LUZ PARA TODA A NACAO

OS RICOS NAO PAGARAO A TARIFA
MAS OS POBRES TAMBEM NAO
LUZ DE TIMOR LORON SAE
DE BORLA SEM PAGAR UM TOSTAO

O MEU GERADOR DE ALTA TENSAO
VAI EMPREGAR MUITO MALANDRO
PRECISA DE MUITA MANIVELADA
VOU COMECAR PELO LEANDRO

DEPOIS VEM O AMIGO REINADO
O GERADOR FICA MILITARIZADO
DA A LUZ AUTOMATICAMENTE
FICA A OPOSICAO MEIO ATRASADO

OS EX-DEPUTADOS DESEMPREGADOS
VAO SER OS SUPERVISORES
VAI HAVER LUZ COM FARTURA
EM CASA DOS SENHORES DOUTORES

UM ABRACO

de MAU DICK

ERNESTO “CHE” GUEVARA

Fitun Latina
Nabilan iha rai sabutar


Fó roman ba dalan leut sira
---
1997-2005

Abe Barreto Soares

Monday, October 22, 2007

"ELEGIA DAS ÁGUAS NEGRAS"

Olá Maracujá

Um grande abraço para todos os amigos da poesia.
Envio um poema de Eugénio Andrade em homenagem a Che Guevara. Um personagem mitico que já ultrapassou as ideologias que levam as sociedades a desentenderem-se.
Che, actualmente, faz parte da sociedade de consumo.
São os tempos que correm.


ELEGIA DAS ÁGUAS NEGRAS

PARA CHE GUEVARA

Atado ao silêncio, o coração ainda
pesado de amor, jazes de perfil,
escutando, por assim dizer, as águas
negras da nossa aflição.

Pálidas vozes procuram-te na bruma;
de prado em prado procuram
um potro, a palmeira mais alta
sobre o lago, um barco talvez
ou o mel entornado da nossa alegria.

Olhos apertados pelo medo
aguardam na noite o sol onde cresces,
onde te confundes com os ramos
de sangue do verão ou o rumor
dos pés brancos da chuva nas areias.

A palavra, como tu dizias, chega
húmida dos bosques: temos que semeá-la;
chega húmida da terra: temos que defendê-la;
chega com as andorinhas
que a beberam sílaba a sílaba na tua boca.

Cada palavra tua é um homem de pé,
cada palavra tua faz do orvalho uma faca,
faz do ódio um vinho inocente
para bebermos, contigo
no coração, em redor do fogo.

Eugénio de Andrade

Wednesday, October 17, 2007

Ukun Rasik An de Kaotay Sarmento

Fui hosi Wehali
Rai nia abut
Emar se Maubere
Timor nia abut
Ita hotu nia isin
Lolon ida de'it
Ita hotu nia klamar
Neon ida de'it

Ukun Rasik An!

-Kaotay Sarmento (RIP)

Tuesday, September 18, 2007

"HA’U NU’UDAR FATUK KI’IK IDA NE’EBÉ ITA BO’OT TUDA BA IHA KOLAN LARAN" de Abe Barreto




(Meditasaun Rai Nakaras Nian)

“wainhira moris nia instrumentu múzikal tomak sei atu toka, maka Ita Bo’ot nia liman mós sei atu hamosu knananuk domin nian.”
Rabindranath Tagore

Na’i, ha’u nu’udar fatuk ki’ik ida ne’ebé Ita bo’ot tuda ba iha bee kolan moos furak ida

No ha’u mout ba bee kidun

Teki-tekis husik hela laloran ki’ik, neneik-neneik hakbesik ba kolan ninin

Loro-matan nakaras
haklaken nia nabilan,
re’i bee kolan nia ibun kulit

Laloran ki’ik, ho maus hamosu furin
Laloran ki’ik, neneik-neneik halakon sira-nia an
---
2002-2005
Abe Barreto Soares

Monday, September 10, 2007

"Menino Magoado" de MGabriela Carrascalao


01-12-2006

Menino.... Abandonado,
rejeitado!
chorando!...
nas ruas de Dili!...
Secas! Poeirentas!
Menino magoado!
Perdido...
Angustiado!
Geme!
Garoto inocente!
triste, mal amado!
Menino esfomeado!
inocência violada !
criança usada!
rosto massacrado,
lágrimas !
de sangue jorrando!
nas ruas de Dili!...
Secas! Poeirentas!
Criança chorando!
Meu Menino,
garoto magoado!
Triste !...
abandonado!...


MGabriela Carrascalão
1-12-2006

"A CIDADE É UM CHÃO DE PALAVRAS PISADAS" de Ary dos Santos


A CIDADE É UM CHÃO DE PALAVRAS PISADAS


A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.

A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.

A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.

A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.

ARY DOS SANTOS

Thursday, September 06, 2007

"TIMOR E A SOLIDAO" de Mau Lear




Estou sem inspiração mas quero escrever em verso alguma coisa sobre Timor

Algo que me liberte e me tire o peso do coração, uma boa noticia será possível ou não? 

Nada de política, nada de desgraças, nada de soberbas nem de tiros.

Mas uma névoa sentida de amor, e carinho que distancie da terra amada toda a pulhice e sangria.

Uma nuvem de veneno puro e gostoso que limpasse o mal cheiroso a maldade e o desespero. 

Que desse a Timor o caminho maravilhoso das estrelas e constelações cheia de milhões de anos de luz e salva de complicações

Mas a porcaria da inspiração não me vem, e eu nesta solidão nesta confusão de soberbas e de tiros desisto.

E engulo o tal veneno puro e gostoso.

Mau Lear

"A primavera" de Mau-Dick


COMECA AMANHA A PRIMAVERA
NESTA BONITA CIDADE QUE VIVO
AS FLORES SORRIEM ALEGREMENTE
E O SEU PERFUME E UM SEDATIVO

MAIS UMA PRIMAVERA FLORIDA
ONDE OS REBENTOS DAS ROSEIRAS 
TIMIDAMENTE SE VAO RENOVANDO
EM IRMANDADE COM AS PIQUEIRAS

VOU CONSTRUIR UMA PONTE
A PONTE DA FRATERNIDADE
ONDE TODOS OS TIMORENSES
VIVAM FELIZES, EM IGUALDADE

OS SONHOS SAO MUITO BONITOS
MAS A REALIDADE E MAE TRAICOEIRA
ARRANCA-NOS A FLOR DA PELE
MAL A GENTE COMECA A PASSADEIRA

MAS UM TIMORENSE, BOM ARQUITECTO
COM TODO O MATERIAL DE CONSTRUCAO
PODE CONSTRUIR A DITA PONTE
COM UM SUSPIRO DO CORACAO

UM ABRACO

MAU DICK